20:34 30 Setembro 2020
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    Terras indígenas e áreas protegidas na Floresta Amazônica representam apenas 10% de todas as emissões de carbono das florestas tropicais espalhadas pelos nove países da Amazônia na América do Sul, disseram pesquisadores na segunda-feira.

    A Amazônia, como a maior floresta tropical do mundo, é considerada fundamental para o combate às mudanças climáticas, devido à grande quantidade de carbono que armazena e que aquece o planeta.

    As árvores sugam dióxido de carbono do ar, mas quando cortadas, elas liberam esse carbono queimando ou apodrecendo.

    A pesquisa, publicada na revista dos Procedimentos da Academia Nacional de Ciências, mostrou que de 2003 a 2016 a Amazônia era uma fonte líquida de carbono para a atmosfera. A região liberou cerca de 1.290 milhões de toneladas de carbono quando combinadas perdas e ganhos.

    Embora a pesquisa anterior tenha se concentrado amplamente nas emissões de carbono ligadas ao desmatamento, o novo estudo também levou em conta aquelas causadas por fatores naturais como a seca, bem como os ganhos obtidos com o crescimento da floresta.

    Usando dados de imagens de satélite e visitas de campo, o estudo mostrou que o crescimento de árvores ajudou as terras indígenas - que cobrem cerca de um terço da Amazônia - a registrar a menor perda líquida de carbono.

    Verificou-se ainda que a maior parte - 90% - das emissões líquidas provém de fora das áreas indígenas e protegidas.

    Índios caiapós discutem incêndios na aldeia de Baú, na região amazônica brasileira
    © AP Photo / Leo Correa
    Índios caiapós discutem incêndios na aldeia de Baú, na região amazônica brasileira
    "O que descobrimos é que, do ponto de vista do carbono, terras protegidas e territórios indígenas estão fazendo um trabalho tremendo na proteção contra perdas, particularmente perdas associadas ao desmatamento", disse à Thomson Reuters Foundation Wayne Walker, cientista do Centro de Pesquisa Woods Hole, um instituto de ciência climática dos EUA.

    Mas essas terras protegidas não estão imunes a perdas, acrescentou Walker, principal autor do estudo.

    "Perdas são observadas da degradação associada a atividades ilegais, mineração ilegal e desmatamento ilegal [...] a perdas por distúrbios relacionados à natureza associados a secas e incêndios florestais", completou.

    O estudo usou e atualizou os dados publicados pela primeira vez na revista Science em 2017, observou ele.

    Com o aumento das taxas de desmatamento, particularmente no Brasil - lar da maior parcela da Amazônia - proteger a floresta tropical é uma prioridade urgente, incluindo fazer mais para salvaguardar terras indígenas e posse de terra, dizem os cientistas.

    No Brasil, essas terras estão cada vez mais ameaçadas, já que o presidente Jair Bolsonaro disse que as reservas indígenas são muito grandes e seu governo quer permitir a mineração e a agricultura comerciais lá.

    Walker afirmou que o estudo mostrou que, em comparação com terras desprotegidas, as florestas sob a administração de povos indígenas e comunidades locais continuam a ter melhores resultados de carbono.

    "O papel deles é crítico e deve ser fortalecido para que os países da Bacia Amazônica consigam manter esse recurso globalmente importante", concluiu.

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    Tags:
    desmatamento, Jair Bolsonaro, terras indígenas, indígenas, povos indígenas, índios, emissões de carbono, carbono, preservação, meio ambiente, pesquisa, Floresta Amazônica, Amazônia, Brasil
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