09:44 13 Agosto 2020
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    A polícia do Rio de Janeiro matou 1.810 pessoas em 2019, um recorde de cinco mortes por dia e um aumento de 18% em relação ao ano anterior neste ponto de turismo no Brasil.

    Os números divulgados na terça-feira pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do governo do estado do Rio também mostram que os homicídios intencionais (excluindo a violência policial) caíram 19%, com 3.995 casos, contra 4.950 em 2018.

    Esses dados correspondem ao primeiro ano de mandato do novo governador do Rio, Wilson Witzel, eleito em grande parte devido ao seu alinhamento com a política de segurança do presidente Jair Bolsonaro.

    Witzel recomendou notavelmente, ao assumir o cargo, o uso de franco-atiradores para atirar a distância a suspeitos equipados com fuzis.

    "Quando vemos que a polícia é responsável por mais de um terço das mortes violentas, isso mostra como nosso modelo de segurança é marcado pela violência policial", explicou à agência AFP Silvia Ramos, especialista do Centro de Pesquisa em Segurança e Cidadania (Cesec) da Universidade Candido Mendes.

    "No Rio, grandes operações policiais tornaram-se nos últimos anos a principal forma de intervenção da polícia. É uma política baseada em confronto e insuficiente em inteligência e planejamento", acrescentou.

    Operações

    Silvia Ramos também é responsável pelo Observatório de Segurança, que analisou detalhadamente as operações policiais realizadas no Rio nos últimos anos. Essas operações para entrar nas favelas para prender suspeitos de tráfico de drogas geralmente são grandes, com o uso de veículos blindados e, muitas vezes, de helicópteros.

    O governador Wilson Witzel toma posse na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) .
    © Foto / Tomaz Silva/Agência Brasil
    O governador Wilson Witzel toma posse na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) .

    Em 2019, o Observatório de Segurança analisou 1.296 operações, nas quais 387 pessoas foram mortas, ou em média cerca de uma morte a cada três operações.

    Os números mostram, no entanto, que o número de pessoas mortas pela polícia diminuiu gradualmente no segundo semestre (196 em julho, 173 em agosto, 154 em setembro, 144 em outubro, 144 em outubro, 135 em novembro e 124 em dezembro).

    Segundo Silvia Ramos, o governador Witzel "iniciou seu mandato com um discurso muito agressivo, mas os efeitos colaterais, especialmente as crianças mortas por balas perdidas, tiveram tanto impacto que ele teve que mudar de rumo".

    Ela alude em particular ao caso da pequena Agatha, de 8 anos, morta em uma favela em setembro passado, um drama que chocou o país inteiro. O Ministério Público solicitou a acusação de um policial em dezembro, após a investigação ter mostrado que a bala havia sido disparada de sua arma.

    Os números do ISP também mostram que o número de roubos caiu, principalmente em veículos (-23%) e carga de caminhões (-19%), número que, mesmo assim, foi colocado em perspectiva por Silvia Ramos.

    "Essa diminuição é explicada, entre outras coisas, pelo fato de muitos criminosos terem se juntado às fileiras de milícias que extorquem os habitantes", destacou ela, referindo-se aos grupos paramilitares que perseguiram traficantes de drogas de certos bairros para impor sua própria lei.

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    Tags:
    tráfico de drogas, homicídios, segurança, milícias, bala perdida, letalidade policial, violência policial, Jair Bolsonaro, Wilson Witzel, Brasil, Rio de Janeiro
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