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    Beka Munduruku tem apenas 16 anos e é de uma remota vila brasileira no rio Tapajós, no coração da Amazônia, mas seu pedido foi ouvido nas Nações Unidas e no Vaticano. Ela quer que o mundo proteja a floresta tropical que é sua casa e um baluarte contra o aquecimento global.

    Ambientalistas no Brasil a chamaram de "Greta Thunberg da Amazônia", em referência à adolescente sueca que inspirou milhões de jovens a agir contra as mudanças climáticas.

    "As pessoas do mundo vêm e nos ajudam a proteger a natureza e combater os projetos de um governo que quer destruir a floresta", declarou Beka à Agência Reuters em uma reunião de líderes indígenas na reserva do Xingu.

    Ela falou, entre outras questões, de como costumava brincar no rio próximo, mas agora o mercúrio da mineração envenena a água.

    O crescente desmatamento por madeireiros ilegais também ameaça a existência dos 13.000 companheiros Mundurukus de Beka que vivem fora da floresta. A sobrevivência de sua tribo depende de sua parte da Amazônia ser preservada.

    Ameaça chamada Bolsonaro

    Mas eles temem o pior. O presidente Jair Bolsonaro planeja abrir terras de reserva protegidas para mineração comercial e agricultura, e está considerando a construção de represas hidrelétricas no Tapajós, o último grande afluente da Amazônia que flui livremente.

    "Dependemos muito da floresta, mas não é apenas para nós, é para o futuro do mundo todo", lembrou Beka.

    O governo está planejando abrir estradas e uma ferrovia para transportar soja para o porto para exportação que cortaria a floresta, enquanto uma barragem mataria espécies de peixes que os Munduruku ainda capturam apesar da poluição por mercúrio, expliquei ela.

    Queimada é vista em área de plantação próximo à praia de Lábrea (AM), no início da tarde desta sexta-feira,  de setembro de 2019
    Queimada é vista em área de plantação próximo à praia de Lábrea (AM), 6 de setembro de 2019

    Bolsonaro afirmou que seu governo está protegendo a floresta tropical, mas ele quer que o desenvolvimento econômico da Amazônia melhore a vida de seus 30 milhões de habitantes, incluindo suas tribos. Os ambientalistas temem que isso acelere o desmatamento.

    Um vídeo de Beka foi exibido no Vaticano e em uma cúpula climática da ONU no ano passado. Ela diz que fez o vídeo para mostrar ao mundo como uma tribo amazônica vive e como a geração jovem se compromete a manter sua língua e cultura, ameaçada pelos planos do governo de assimilar os 850 mil indígenas brasileiros.

    Os organizadores adolescentes da greve escolar convocada por Thunberg na Europa enviaram mensagens de vídeo à Beka.

    Munduruku é o nome das formigas vermelhas da selva amazônica e a tribo de Beka recebeu o nome da maneira como seus guerreiros ficam lado a lado como um grupo de formigas.

    Para Beka, esse espírito ajudará a tribo a vencer a batalha para preservar a floresta tropical, considerada um bastião contra as mudanças climáticas por causa das vastas quantidades de dióxido de carbono que absorve o calor que absorve da atmosfera.

    "Somos um povo muito forte e poderemos parar com isso e continuar lutando por nossa terra e pela proteção da floresta", concluiu.

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    Tags:
    garimpeiros, garimpo, mineração, queimadas, madeireiros, desmatamento, proteção ambiental, Jair Bolsonaro, meio ambiente, terras indígenas, povos indígenas, indígenas, Índios, ONU, Vaticano, Floresta Amazônica, Amazônia, Brasil
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