06:15 27 Novembro 2020
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    Há uma sensação assustadora de preocupação no Rio de Janeiro após mais de uma semana de água suja e com cheiro incomum sair da torneira em dezenas de bairros. 

    Boatos estão circulando e moradores estão comprando água mineral em grandes quantidades nos mercados, informa a agência de notícias Associated Press.

    Há publicações nas redes sociais de água da região metropolitana do Rio com coloração turva e vários mercados visitados pela Associated Press nesta quarta-feira (15) estão sem estoque de água engarrafada. 

    Houve rumores — negados pelas autoridades — de que a empresa de abastecimento de água do estado, Cedae, cortaria o fornecimento de água de milhões de moradores e que testes classificaram a água como imprópria para consumo.

    Mariana Bretas, 29 anos, recebeu uma mensagem de texto que viralizou dizendo que as pessoas devem tapar seus ouvidos com algodão ao tomar banho.

    "Não sei se é verdade, mas estamos com medo'', disse Bretas depois de comprar cinco litros de água.

    A Cedae disse que a coloração da água ocorre por conta da geosmina, uma substância orgânica que é inócua e que a água atende aos requisitos do Ministério da Saúde. Mesmo assim, a estatal disse que começará a usar carvão ativado em pó no início do tratamento para conter a geosmina.

    O jornal O Globo publicou reportagem afirmando que há um aumento nos casos de diarréia, gastroenterite e vômito na zona oeste do Rio, e citou a Secretaria Estadual de Saúde dizendo que é muito cedo para associar a maior incidência de sintomas à água contaminada, principalmente durante a temporada de festas. 

    O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), pediu uma análise da qualidade da água e também da própria Cedae. "Determinei apuração rigorosa tanto da qualidade da água quanto dos processos de gestão da companhia", disse Witzel.

    O Globo informou na terça-feira que, após o anúncio de Witzel, a Cedae demitiu o chefe da estação de tratamento que fornece água para a área da Baixada Fluminense, no Rio, e é uma das maiores do mundo.

    A estação recebe água do rio Paraíba do Sul, mas também de vários córregos contaminados com esgoto. O professor de biofísica ambiental da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) João Paulo Machado Torres diz que a Cedae faz um trabalho insuficiente de tratamento dessa água contaminada.

    "O serviço é tão ruim que a situação não é saudável'', disse Torres.

    Em um mercado no Rio que ainda tinha suprimento de água, Natalia Villasboas, uma dentista de 65 anos, encheu seu carrinho de compras com 38 litros.

    "As pessoas estão dizendo que a água está contaminada e tem um cheiro muito estranho'', disse Villasboas. "Não quero correr o risco de contrair qualquer infecção.''

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