09:29 06 Agosto 2020
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    Após um período de afastamento, o Brasil voltou a aproximar-se da África. Contudo, na gestão de Jair Bolsonaro, as igrejas evangélicas fazem a ponte que já foi realizada por empreiteiras.

    Deputados ligados à igrejas evangélicas lideram sete dos oito grupos parlamentares de amizade entre o Brasil e nações africanas, afirma reportagem recente da BBC Brasil. A Igreja Universal, presente em 23 dos 55 países da África, é responsável pelos grupos de amizade com Angola, Cabo Verde, Moçambique, Camarões e Namíbia.

    Um dos principais nomes da ofensiva evangélica do Brasil na África é o deputado federal Marco Feliciano. Em entrevista à BBC Brasil, o congressista afirma que a relação com os governos anteriores era de "mera tolerância".

    "O governo Bolsonaro é um governo que se declara temente a Deus, em conformidade com o mais profundo sentimento da nacionalidade brasileira", diz Feliciano. 

    Ainda de acordo com a BBC Brasil, os evangélicos conseguem exercer uma maior influência na diplomacia brasileira com a África porque a agenda das igrejas não se choca com a de outros grupos. Na política do Itamaraty para o Oriente Médio, a posição evangélica de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém encontra oposição entre os defensores do agronegócio.

    "Com a perda de poder das empreiteiras, que foram a ponte entre Brasil e África nos últimos 20 anos, sobretudo a Odebrecht, que está em situação, para dizer o mínimo, bastante complicada, nada mais lógico do que agora enfatizar essa questão simbólica, de identidade", afirma à Sputnik Brasil o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP) Vinícius Rodrigues Vieira.

    Ernesto Geisel, presidente da ditadura militar entre 1974 e 1979, investiu com "grande ímpeto" na relação entre África e Brasil por meio de empreiteiras, estratégia que foi reciclada décadas depois pelo presidente Lula, diz o professor da USP. 

    Para Vieira, os grupos evangélicos brasileiros buscam "conquistar um novo mercado de fiéis" e a atual associação entre o Itamaraty e os grupos religiosos é "perigosa". 

    "A meu ver, a religião não deve ter papel central na política externa no Estado contemporâneo, democrático e, em tese, laico. De modo a acomodar as diferenças religiosas entre seus diferentes cidadãos".

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    Tags:
    diplomacia, África, Brasil
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