00:23 28 Janeiro 2020
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    A ex-presidente Dilma Rousseff cobrou explicações sobre fala do ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas de que foi sondado por parlamentares de esquerda sobre decretação de estado de sítio durante o governo da petista.

    Em entrevista concedida para o jornal O Globo, o chefe do Exército durante as gestões de Dilma e Michel Temer disse que, "ao longo do processo de impeachment, dois parlamentares de partidos de esquerda procuraram a assessoria parlamentar do Exército para sondar como receberíamos a decretação de um estado de defesa [medida por meio da qual o presidente decreta por 30 dias situação emergencial restringindo direito de reunião e de comunicação]". 

    Villas Bôas afirmou ainda que ficou "preocupado" com a possibilidade de o Exército ser empregado contra as manifestações, mas esclareceu que Dilma não teria feito o pedido diretamente.

    "Corre uma versão de que a presidente Dilma teria me chamado e determinado a decretação do estado de defesa e eu teria dito que não cumpriria. Isso não aconteceu. Mas que houve a sondagem, ela de fato houve", acrescentou. 

    Por meio de nota, Dilma repudiou as alegações e pediu para Villas Bôas apresentar o nome dos dois parlamentares que teriam feito o pedido. 

    'Responsabilidade cabe ao general'

    "Se isso ocorreu é imprescindível o nome dos deputados pois que eles devem esclarecimentos ao país. Caso contrário, a responsabilidade cabe ao general e à sua assessoria parlamentar", afirmou o comunicado. 

    Além disso, cobrou o ex-comandante por não ter informado as autoridades superiores sobre o ocorrido na época. 

    "Explique por que, se ficou preocupado, não informou as autoridades superiores, Ministro da Defesa e presidente da República — Comandante Supremo das Forças Armadas — sobre o fato de dois integrantes do Legislativo sondarem a assessoria parlamentar do Exército sobre um ato contra a democracia, uma vez que contrário ao direito de livre manifestação?", questionou Dilma. 

    A ex-presidente disse ainda que jamais considerou decretar estado de defesa. 

    'A intervenção militar contra a democracia é um golpe'

    "A intervenção militar contra a democracia é um golpe. A minha vida é prova do meu repúdio político e repulsa pessoal a essa etapa da história do país. Jamais pensei, avaliei, considerei, fui sondada para qualquer possibilidade ou alternativa, mesmo que remota, a esse tipo intervenção antidemocrática", afirmou. 

    Em sua entrevista, Villas Bôas também afirmou que a democracia do Brasil "foi colocada à prova" no período do impeachment e da divulgação dos áudios com diálogos entre Temer e Joesley Batista, um dos donos da indústria de alimentos JBS. 

    General não vê 'nenhum risco' à democracia hoje

    Sobre o momento atual, ele disse que não vê possibilidade de retrocesso institucional: "Fomos repetidamente colocados à prova. Não vejo nenhum risco". 

    O general de 68 anos enfrenta uma doença neuromotora de caráter degenerativo, respira com ajuda de aparelho e se locomove em cadeira de rodas.

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    Tags:
    forças armadas, ditadura, golpe, estado de emergência, exército, Eduardo Villas Bôas, Jair Bolsonaro, impeachment, Michel Temer, Dilma Rousseff
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