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    Foi relatado nesta semana que o embaixador de Israel, Yossi Shelley, está sendo criticado por parte da comunidade judaica no Brasil por seu alinhamento ao presidente Jair Bolsonaro.

    Nesta semana, a Folha de S.Paulo publicou que a recém-aposentada diplomata Débora Barenboim-Salej atacou o embaixador de Israel, Yossi Shelley, através das redes sociais, citando que Shelley "está em pé de guerra" com parte da comunidade judaica por seu alinhamento a Bolsonaro.

    Ao comentar o assunto, o cientista político e professor de Relações Internacionais da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, Maurício Fronzaglia, disse à Sputnik Brasil que trazer as relações de dois Estados para o campo pessoal, tornando-a mais subjetiva, traz consequências negativas.

    "O que está se cobrando da diplomacia israelense aqui nesse 'racha' é que ela seja mais objetiva, que não se deixe levar por critérios subjetivos, o que na verdade é uma regra na diplomacia internacional", completou.

    De acordo com Fronzaglia, a postura do governo brasileiro de buscar alinhamento de cunho mais pessoal com líderes de outros países, como os EUA e Israel, pode "trazer benefícios de primeira hora, mas não traz boas consequências a médio e longo prazo".

    Premiê israelense Benjamin Netanyahu e presidente eleito Jair Bolsonaro no Forte de Copacabana, Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 2018
    © AP Photo / Leo Correa/Pool
    Premiê israelense Benjamin Netanyahu e presidente eleito Jair Bolsonaro no Forte de Copacabana, Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 2018

    "A posição da diplomacia brasileira, até pela nossa história, e pelas nossas ações, sempre foi de moderação, e com relação à Israel e Palestina, e as questões do Oriente Médio, a posição brasileira sempre foi moderada, e sempre de uma forma prudente e responsável. A diplomacia do governo Bolsonaro já é uma diplomacia que escolhe lados", observou o especialista.

    O cientista político lembrou que o alinhamento automático com os EUA e com Israel, sobretudo com a intenção de mudar a embaixada para Jerusalém, gerou uma aproximação inicial com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, mas com mudanças de governos estes alinhamentos automáticos podem trazer dificuldades.

    "Quando muda o governo, estes alinhamentos automáticos são complicados, porque quando se muda o governo parece que é preciso mudar as relações também", observou.

    O professor de Relações Internacionais acrescentou que a opção do governo Bolsonaro de previlegiar certas relações bilaterais "traz mais aspectos negativos do que positivos".

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    Tags:
    diplomacia, Jair Bolsonaro, Benjamin Netanyahu, Israel, Brasil
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