15:12 22 Novembro 2019
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    Ministro Sergio Moro em evento na sede de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR)

    Sem citar Lula, Moro lamenta soltura em 2ª instância e insta Congresso a mudar lei

    © Folhapress / Christian Rizzi /Fotoarena
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    Responsável pela condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do tríplex do Guarujá (SP), o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça Sergio Moro lamentou a decisão que permitiu a soltura do petista na última sexta-feira, em Curitiba.

    Em postagem em sua página do Twitter na manhã deste sábado, Moro – que deixou a magistratura e assumiu o Ministério da Justiça logo após a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições presidenciais de 2018 – disse que "lutar pela Justiça e pela segurança pública não é tarefa fácil".

    ​"Previsíveis vitórias e revezes. Preferimos a primeira e lamentamos a segunda, mas nunca desistiremos", prosseguiu Moro, que condenou Lula por ter aceitado, segundo o Ministério Público Federal (MPF), um apartamento tríplex em Guarujá, no litoral paulista, como propina paga pela empreiteira OAS em troca de três contratos com a Petrobras. O ex-presidente sempre negou as acusações.

    Após passar 580 dias detido na sede da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, Lula foi solto pela Justiça na sexta-feira, um dia depois do Supremo Tribunal Federal (STF) ter decidido, em uma votação apertada de 6 votos a 5, que uma pessoa condenada só pode ser presa após o fim de todos os recursos (trânsito em julgado).

    A medida alterou o próprio entendimento da Corte, que em 2016 havia dado permissão para prisões após condenações em segunda instância.

    O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Serio Moro, e o presidente Jair Bolsonaro durante evento em Brasília em 9 de agosto de 2019.
    © AP Photo / Eraldo Peres
    O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Serio Moro, e o presidente Jair Bolsonaro durante evento em Brasília em 9 de agosto de 2019.

    No mesmo tweet publicado neste sábado, Moro ressaltou que a decisão do Supremo "deve ser respeitada", mas ela pode ser modificada pelo Congresso Nacional – aliados de Bolsonaro e críticos do petista já se articulam para tentar aprovar um projeto acerca das prisões em segunda instância.

    Também neste sábado, o presidente Bolsonaro atacou Lula, pedindo que seus seguidores não fornecessem "munição ao canalha".

    Além de Lula, a decisão do STF pode beneficiar aproximadamente 5 mil presos em todo o Brasil, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O país conta hoje com quase 800 mil detentos, tendo a terceira maior população carcerária de todo o planeta.

    Depois de passar a noite em Curitiba, o ex-presidente deixou a capital paranaense por volta das 10h30 deste sábado, segundo informou o G1. Ele seguiu para São Paulo, onde uma série de eventos em comemoração à sua soltura estão na agenda de Lula.

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    Tags:
    Dias Toffoli, STF, política, Operação Lava Jato, corrupção, Luiz Inácio Lula da Silva, Jair Bolsonaro, Sergio Moro, Curitiba, São Paulo, Brasil
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