14:45 22 Novembro 2019
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    Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia de entrega de ônibus escolares em Goiânia

    Bolsonaro se pronuncia pela 1ª vez sobre soltura de Lula: 'Não dê munição ao canalha'

    © Folhapress / Pedro Ladeira
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    O presidente Jair Bolsonaro usou Twitter para se pronunciar pela primeira vez sobre a soltura do ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de "canalha" e pedindo aos seus seguidos que não lhe deem "munição".

    O Twitter foi usado pelo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, para não perder apoio de seus eleitores e para alfinetar a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com Bolsonaro, Lula está livre "momentaneamente, mas carregado de culpa".

    Na mesma postagem, o presidente apareceu em um vídeo em homenagem ao ministro da Justiça, Sergio Moro. Ele assumiu o posto no governo Bolsonaro logo após as eleições do ano passado, quando foi acusado por setores da esquerda de ter inviabilizado a candidatura de Lula, a quem condenou em primeira instância quando era juiz na operação Lava Jato.

    ​"Em parte, o que acontece na política no Brasil, devemos a Sergio Moro", afirma Bolsonaro no mesmo vídeo.

    "Amantes da liberdade e do bem, somos a maioria. Não podemos cometer erros. Sem um norte e um comando, mesmo a melhor tropa, se torna num bando que atira para todos os lados, inclusive nos amigos. Não dê munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa", escreveu o presidente em seguida, em uma nova publicação.

    No momento da soltura de Lula, em Curitiba, onde o petista estava preso desde abril de 2017 pela condenação no caso do tríplex do Guarujá (SP), Bolsonaro estava em Goiânia, participando da entrega de ônibus escolares, e preferiu evitar a imprensa.

    Tido como responsável por algumas postagens do presidente Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do ex-capitão do Exército, também atacou Lula e a esquerda pelo Twitter, exaltando o trabalho de Moro.

    ​Lula foi solto pela Justiça um dia depois do Supremo Tribunal Federal (STF) ter decidido, em uma votação apertada de 6 votos a 5, que uma pessoa condenada só pode ser presa após o fim de todos os recursos (trânsito em julgado). A medida alterou o próprio entendimento da Corte, que em 2016 havia dado permissão para prisões após condenações em segunda instância.

    O petista passou 580 dias detido na sede da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba. Ele foi condenado em duas instâncias por ter, segundo a acusação, aceitado um apartamento tríplex em Guarujá, no litoral paulista, como propina paga pela empreiteira OAS em troca de três contratos com a Petrobras. O ex-presidente sempre negou as acusações.

    Além do caso do tríplex – cuja pena de 8 anos, 10 meses e 20 dias foi confirmada pela terceira instância, no Superior Tribunal de Justiça (STJ) –, Lula também foi condenado na primeira instância em outro caso investigado pela Lava Jato, envolvendo vantagens recebidas da OAS e da Odebrecht em um sítio em Atibaia (SP).

    Além de Lula, a decisão do STF pode beneficiar aproximadamente 5 mil presos em todo o Brasil, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O país conta hoje com quase 800 mil detentos, tendo a terceira maior população carcerária de todo o planeta.

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    Tags:
    política, STF, Atibaia (SP), Guarujá, triplex, corrupção, Operação Lava Jato, Sergio Moro, Luiz Inácio Lula da Silva, Carlos Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Goiânia, Curitiba, Brasil
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