11:15 18 Novembro 2019
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    Eduardo Bolsonaro em 14 de agosto de 2019.

    Eduardo Bolsonaro ameaça: Brasil pode ter 'um novo AI-5' se esquerda radicalizar (VÍDEO)

    © AP Photo / Eraldo Peres
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    Filho do presidente Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sugeriu em uma entrevista publicada nesta quinta-feira que o Brasil pode viver um "um novo AI-5", caso a esquerda "radicalizar".

    A polêmica fala foi dada pelo parlamentar à jornalista Leda Nagle em uma entrevista feita na segunda-feira e publicada nesta terça-feira. A oposição já afirmou que representará contra ele no Conselho de Ética da Câmara, pedindo sua cassação.

    "Tudo é culpa do Bolsonaro, percebeu? Fogo na Amazônia, que sempre ocorre – eu já morei lá em Rondônia, sei como é que é, sempre ocorre nessa estação – culpa do Bolsonaro. Óleo no Nordeste, culpa do Bolsonaro. Daqui a pouco vai passar esse óleo, tudo vai ficar limpo e aí vai vir uma outra coisa, qualquer coisa – culpa do Bolsonaro", argumentou o deputado.

    Continuando o seu raciocínio, o filho do presidente argumentou que o governo Bolsonaro terá de dar uma resposta, caso as críticas continuem como estão.

    "Se a esquerda radicalizar esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. E uma resposta pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada através de um plebiscito como ocorreu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada", pontuou.

    "O que faz um país forte não é um Estado forte. São indivíduos fortes. A conjectura não tem que ser futura, ela tem que ser presente. Quem é o presidente dos EUA agora? É o [Donald] Trump. Ele se dá bem com o Bolsonaro? Se dá muito bem. Então vamos aproveitar isso aí", acrescentou.

    O Ato Institucional Número Cinco (AI-5) foi o quinto de 17 decretos emitidos pela ditadura militar nos anos que se seguiram ao golpe de estado de 1964 no Brasil. Considerado o mais duro de todos, ele cassou mandatos de parlamentares contrários aos militares, nomeou interventores em municípios e estados, e suspendeu garantias institucionais, como o habeas corpus.

    "Ao fim do mês de dezembro de 1968, 11 deputados federais foram cassados, entre eles Márcio Moreira Alves e Hermano Alves. A lista de cassações aumentou no mês de janeiro de 1969, atingindo não só parlamentares, mas até ministros do Supremo Tribunal Federal. O AI-5 não só se impunha como um instrumento de intolerância em um momento de intensa polarização ideológica, como referendava uma concepção de modelo econômico em que o crescimento seria feito com 'sangue, suor e lágrimas'", diz texto da cientista política Maria Celina D'Araujo, publicado no site da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

    Segundo historiadores e vítimas dos militares, o AI-5 marcou o recrudescimento da ditadura militar, fomentando de um lado os movimentos de luta armada, e de outro o aumento dos episódios de tortura e assassinatos cometidos por agentes do Estado brasileiro.

    Não é a primeira vez que Eduardo Bolsonaro faz sugestões polêmicas e consideradas antidemocráticas. Nesta semana, em discurso na Câmara dos Deputados, o parlamentar já havia sugerido tomar medidas extremas, rumo a uma ditadura, caso a oposição radicalizasse, sem tecer mais detalhes.

    No ano passado, durante a campanha presidencial, um vídeo mostrava o filho do então candidato Jair Bolsonaro sugerindo que, para fechar o STF, seriam necessários apenas "um cabo e um soldado", declaração que gerou forte reação do Judiciário e de vários setores da sociedade civil.

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    Tags:
    política, esquerda, direita, liberdade, habeas corpus, censura, AI-5, Artur da Costa e Silva, ditadura militar, assassinatos, tortura, Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Brasil
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