22:56 13 Novembro 2019
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    Óleo atinge praia do Viral e prejudica pesca em área isolada na cidade de Aracaju (SE)

    Óleo na costa do Nordeste fica cada vez mais difícil de ser controlado, alerta especialista

    ©Raul Spinassé/Folhapress
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    O óleo que atinge centenas de praias do litoral nordestino fica mais rígido com o passar do tempo e difícil de ser tratado e controlado, afetando flora e a fauna marinha, disse à Sputnik Brasil o biólogo Emerson Soares.

    "Como esse óleo ficou há mais de um mês no ambiente, vai ficando mais rígido, mais difícil de ser tratado ou degradado. Quando chega às praias o prejuízo é enorme, pois afeta os corais, mangue, plâncton, causando também danos aos animais, principalmente mamíferos aquáticos, como golfinhos e tartarugas", disse o vice- coordenador do Comitê Científico de Bacias Hidrográficas do Nordeste e coordenador do Laboratório de Aquicultura (Laqua), do Centro de Ciências Agrárias da UFAL (Universidade Federal de Alagoas).

    Um balanço divulgado nesta terça-feira (15) pelo Instituto Verdeluz, contabilizou 21 tartarugas encontradas mortas no litoral do Ceará.

    Óleo pode matar centenas de tartarugas

    O Ibama até o momento registrou a morte de 14 animais - 13 tartarugas e uma ave. O órgão leva em conta laudo veterinário que atesta a morte causada pelo óleo, por isso os números do instituto costumam ser menores.

    As tartarugas são especialmente sensíveis ao vazamento, que atingiu praias onde pelo menos cinco espécies fazem desova. "O óleo vai impedir que o animal retorne ao ambiente. Ele fica preso, pois o material tem consistência considerável. Com o estresse e a contaminação, o animal não vai conseguir sobreviver", afirmou o professor.  

    Golfinho com manchas de óleo foi encontrado morto no município de Feliz Deserto, no litoral sul de Alagoas.
    © Foto / Instituto Biota/Fotos Públicas
    Golfinho com manchas de óleo foi encontrado morto no município de Feliz Deserto, no litoral sul de Alagoas.

    Segundo Soares, o problema foi mal gerenciado em seu início, o que possibilitou o alastramento do vazamento por todo o Nordeste. O óleo atinge os nove estados da região. Mais de 160 localidades de 72 municípios foram afetados.

    "É um problema que já vem há mais de um mês, mas que se tornou mais grave de duas ou três semanas para cá. Quando surgiram os primeiros efeitos causados pelo óleo, deveria ter sido feita uma força-tarefa para impedir que esse ele chegasse até as praias.  Uma vez que ele chegou, fica mais difícil controlar e diluir", lamentou.

    Barreiras poderiam ter sido instaladas

    Uma das maneiras de impedir a vinda do produto até o litoral é a instalação de barreiras, apontou o biólogo. "Existem protocolos ambientais da Petrobras e outras empresas que lidam com petróleo, junto com Marinha e Ibama. Poderiam ter sido colocadas barreiras para sugar o óleo. A Petrobras dispõe de equipamentos que podem fazer isso. Temos tecnologia para lidar com a questão, mesmo que o óleo tenha uma consistência mais densa", explicou.

    Mutirão realiza limpeza e monitoramento de óleo que atingiu praias de Alagoas
    © Foto / Ascom IMA/Fotos Públicas
    Mutirão realiza limpeza e monitoramento de óleo que atingiu praias de Alagoas

    Soares afirmou ainda que após atingir as praias, o trabalho fica muito mais difícil. "É como enxugar gelo. O óleo fica preso a substratos, adere a corais, a recifes, à areia e aos animais. Eu tive contato com o produto e foi uma mão de obra incrível para tirar. Imagina o animal", disse o professor. Ainda não se sabe a origem do produto, mas o governo vem afirmando com bases em estudos se tratar de petróleo oriundo da Venezuela. 

    Prejuízos à pesca e ao turismo

    Soares também alertou para os prejuízos econômicos causados pela tragédia. "O óleo atingiu bancos de pesca importantes. Em Alagoas temos a região da Foz do São Francisco, um dos maiores bancos de camarão do Brasil.  Alagoas e alguns estados têm pesca artesanal muito forte. Conversei com pescadores que falaram que a rede fica com problemas, o óleo engancha nos apetrechos e é difícil tirar", disse.

    O especialista lembrou ainda que derramamento vai diminuir o turismo na região, afetando milhares de pessoas que tiram seu sustento da venda de artesanato e pescado.

    "Agora precisamos de uma força-tarefa que reúna todos os especialistas e todas as informações disponíveis", sentenciou.

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    Tags:
    biologia, pesca, animais, meio ambiente, oceano, Nordeste, desastre ambiental, biodiversidade, petróleo, óleo
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