12:20 17 Outubro 2019
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    Incêndios florestais no território brasileiro da Amazônia

    Exclusiva: governador do Amapá diz que doadores desejam aumentar recursos do Fundo Amazônia

    © REUTERS / Nacho Doce
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    Nove Estados estão reunidos em Consórcio e negociam com países europeus novos repasses ao Fundo Amazônia, que teve transferências canceladas por conta da política ambiental de Jair Bolsonaro (PSL).

    O Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal reúne Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. O órgão teve reunião em Brasília na semana passada com representantes das embaixadas da Alemanha, Reino Unido e Noruega e outro encontro com representante da embaixada francesa.

    "O desejo dos doadores não é só de manter o Fundo Amazônia, mas de aumentar a possibilidade de arrecadação. Inclusive trazendo outros países para participar, ouvimos isso de forma muito clara", diz o governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil. "Somos um bloco com partidos das mais diferentes ideologias, mas procuramos o nosso ponto de convergência e unidade: a defesa da Amazônia", afirma.

    Presidente do Consórcio, Goés diz que os recursos europeus poderão ser gerenciados pelo Governo Federal, ou pelo próprio Consórcio, caso seja necessário. Para o pedetista, o Fundo Amazônia correu o risco de ser suspenso, mas agora o cenário indica uma retomada.

    Com mais de R$ 1 bilhão aplicado ao longo de 10 anos na conservação da floresta, o Fundo Amazônia perdeu um repasse da Noruega (R$ 133 milhões) e Alemanha (R$ 155 milhões) por discordâncias sobre as políticas ambientais brasileiras. 

    Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019
    © REUTERS / Amanda Perobelli
    Lote queimado é visto na Floresta Nacional de Jamanxim na Amazônia, no estado do Pará, Brasil, 11 de setembro de 2019

    O aumento do desmatamento e das queimadas fez com que o presidente francês, Emmanuel Macron, e Bolsonaro trocassem farpas publicamente por conta dos rumos da maior floresta tropical do mundo. O governador do Amapá afirma que atualmente o momento das relações entre Paris e Brasília é de "distensionamento".

    "Estamos dizendo que a diplomacia, mesmo entre os diferentes, é fundamental. Vivemos em um mundo globalizado onde nossos problemas também dizem respeito à humanidade, como os problemas de outros países também nos atingem. Viver em uma bolha e encastelado terá um custo muito alto", analisa Goés.

    Nesta segunda-feira (16), o Consórcio teve reunião com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e acertou a transferência de R$ 430 milhões do Fundo da Petrobras aos Estados para investimento em ações de conservação da floresta. 

    A próxima reunião do Consórcio com os representantes europeus está prevista para o próximo mês, na Embaixada da Alemanha. 

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    Tags:
    Ricardo Salles, Fundo Amazônia, Emmanuel Macron, Jair Bolsonaro
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