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    Getúlio Vargas em retrato de 1938.

    Getúlio Vargas: pai dos pobres ou simples ditador?

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    Há 65 anos, Getúlio Vargas deixava a vida para entrar na história. Uma das figuras mais importantes do Brasil no século XX, o legado do ex-presidente é discutido até hoje.

    Aos 72 anos e acuado pela oposição, Getúlio tirou a própria vida em 24 de agosto de 1954 no Palácio do Catete. O então presidente enfrentava uma campanha que defendia sua renúncia e as críticas ferozes de corrupção feitas por Carlos de Lacerda.

    "Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história", afirma a carta-testamento de Getúlio.

    O professor Luciano Aronne de Abreu, da PUCRS, é especialista em história política do Brasil e afirma que o suicídio criou um "varguismo sem Vargas" ao reverter uma associação que era feita entre o presidente e o autoritarismo, que abriu espaço para uma maior ligação de Vargas com sua política trabalhista.

    Autor dos livros "Getúlio Vargas: a construção do mito" e "Um Olhar Regional sobre o Estado Novo", o historiador destaca que o velório de Getúlio foi acompanhado milhares de pessoas e que sua carta-testamento serviu como bandeira para João Goulart e Leonel Brizola.

    Abreu também relembra que Fernando Henrique Cardoso, durante sua presidência nos anos 1990, declarou ter como objetivo encerrar a Era Vargas, enquanto Lula se colocou como uma espécie de "herdeiro do varguismo". Para o professor da PUCRS, estes pontos demonstram como o ex-presidente de São Borja segue como um elemento importante para entender a política nacional.

    Sobre Getúlio ao mesmo tempo ser lembrado como "pai dos pobres" por seu papel na criação e consolidação das leis trabalhistas e ter governo o Brasil como ditador, Abreu afirma:

    "Todos somos complexos e contraditórios, o problema é que muitas vezes queremos ver determinado personagem a partir de um viés e de outro. Getúlio marcou seu legado pela legislação trabalhista, que eu acho ser seu principal legado, mas marcou também pelo autoritarismo, marcou também pelas suas relações mais ou menos próximas com o fascismo, essas coisas não são excludentes."

    O quarto no Palácio do Catete onde Getúlio morreu pode ser visitado no Museu da República, na zona sul do Rio de Janeiro. Responsável por encerrar o revezamento de paulistas e mineiros na Presidência, Getúlio também foi deputado federal, senador e ministro da Fazenda, tudo antes de atirar em seu próprio peito com um revólver na manhã de 24 de agosto de 1954.

    • Getúlio Vargas anuncia, em novembro de 1937, a dissolução do Congresso e o início do período ditatorial que ficou conhecido como Estado Novo.
      Getúlio Vargas anuncia, em novembro de 1937, a dissolução do Congresso e o início do período ditatorial que ficou conhecido como Estado Novo.
      © AFP 2019 / -
    •  Posse de Getúlio Vargas como membro da Academia Brasileira de Letras em 1943.
      Posse de Getúlio Vargas como membro da Academia Brasileira de Letras em 1943.
    • Retrato sem data de Getúlio.
      Retrato sem data de Getúlio.
      © AFP 2019 / -
    • Funeral de Getúlio no Rio de Janeiro, em 30 de agosto de 1954.
      Funeral de Getúlio no Rio de Janeiro, em 30 de agosto de 1954.
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    • Memorial Municipal Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.
      Memorial Municipal Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.
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    Getúlio Vargas anuncia, em novembro de 1937, a dissolução do Congresso e o início do período ditatorial que ficou conhecido como Estado Novo.

    O "pai dos pobres" é responsável pela criação da Petrobras e implementou o monopólio estatal na exploração de petróleo, idealizou a criação da Companhia Siderúrgica Nacional e criou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Getúlio também deu um golpe de Estado em 1937 utilizando como pretexto uma teoria da conspiração anticomunista, o Plano Cohen. 

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    Tags:
    Fernando Henrique Cardoso, Lula, Getúlio Vargas
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