09:32 23 Outubro 2019
Ouvir Rádio
    O ministro da Educação, Abraham Weintraub, durante apresentação do programa Future-se

    Vitrine do MEC, programa 'Future-se' é vago, dizem especialistas

    © Foto/ Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Brasil
    URL curta
    374
    Nos siga no

    Definido pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, como uma iniciativa capaz de colocar o Brasil "no mesmo patamar de países desenvolvidos", o programa Future-se é questionado por especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil.

    De adesão opcional, o Future-se facilita a captação de recursos privados pelas universidades federais. Para fazer parte, é necessário contratar uma organização social e, segundo o Ministério da Educação (MEC), a ação "permitirá o aumento da autonomia financeira das instituições federais de ensino". A iniciativa também prevê a cessão de uso e concessão de imóveis da União, a criação de um ranking que servirá como critério para concessão de prêmios, autoriza a venda de direitos de uso de nomes em órgãos das universidades, entre outras medidas.

    A Sputnik Brasil entrevistou um professor universitário da iniciativa privada e outro de universidade pública — e ambos consideraram que faltam informações sobre o programa do MEC.

    Benedito Aguiar, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras e reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, avalia que o Future-se tem "intenções nobres" e que acerta ao tentar aumentar a produção de inovação da academia brasileira, mas avalia que ele foi apresentado de maneira "não muito clara".

    "O projeto até agora é um conjunto de ideais, materializar esse conjunto de ideais não é algo tão trivial. Creio que a partir desse conjunto de ideias, criando uma sinergia entre governo, universidade e aqueles que demandam a inovação, creio que podemos ter um resultado muito positivo", afirma Aguiar à Sputnik Brasil.

    A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) decidiu por meio do seu Conselho Universitário não aderir ao Future-se e emitiu nota criticando o projeto. 

    O diretor da Associação de Docentes da UFRJ, Felipe Rosa, diz que o Future-se foi apresentado sem diálogo com a comunidade acadêmica e que o Observatório do Conhecimento, uma rede de associações e sindicatos de professores de universidades de diferentes estados, foi até Brasília para buscar o MEC, mas foi recebido com um "cadeado na porta".

    "O Future-se é um projeto de educação superior e não tem nenhuma política específica de educação", diz Rosa à Sputnik Brasil. 

    O diretor da Associação de Docentes da UFRJ diz que os cortes orçamentários no Ministério da Educação ameaçam o futuro da maior universidade federal do Brasil: "Os cortes vão impedir que a gente termine o semestre letivo com todas as funcionalidades que a universidade precisa para funcionar."

    Segundo levantamento do Nexo, o Governo Federal bloqueou R$ 1,7 bilhão em recursos do ensino superior federal em março deste ano. À época, Weintraub disse que a medida foi tomada por conta da  "balbúrdia" nas instituições de ensino. Posteriormente, o ministro da Educação recuou e disse que o corte obedeceu a critérios técnicos.

    Mais:

    Bolsonaro ironiza Alemanha por corte de recursos para Amazônia
    Governo terá força para aprovar no Senado indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixador nos EUA?
    Embaixada brasileira em Londres sofre protestos por política ambiental do governo Bolsonaro
    Após críticas a Bolsonaro, deputado Alexandre Frota é expulso do PSL
    Tags:
    MEC
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar