03:59 26 Agosto 2019
Ouvir Rádio
    Ministro Sérgio Moro chega ao lado do presidente Jair Bolsonaro a um evento militar em Brasília

    Licença de Moro mostra 'fraqueza' do ministro, diz cientista político

    © REUTERS / Adriano Machado
    Brasil
    URL curta
    23245

    Atingido pelo vazamento de mensagens, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, iniciou nesta segunda-feira (15) um afastamento de 5 dias de seu cargo. Apesar da versão oficial afirmar ser uma medida protocolar, a ação sublinha a delicada condição de Moro.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, o cientista político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rodrigo Prando afirma que Moro assumiu o cargo no governo de Jair Bolsonaro como um fiador da agenda anticorrupção, assim como Paulo Guedes é garantia das pautas econômicas liberais.

    Nesse cenário, chama a atenção o afastamento de Moro, ainda que ele já estivesse combinado, após repetidas publicações trazerem mensagens vazadas da Operação Lava Jato que mostram ações questionadas por alguns juristas. Prando acredita que o afastamento de Moro demonstra "fraqueza" em um momento frágil do ministro.

    Bolsonaro aproveita o momento, diz o professor do Mackenzie, porque sabe que o antigo juiz da Lava Jato é um nome forte politicamente e poderia até derrotá-lo nas eleições presidenciais de 2022. "Se Moro tivesse todo o destaque previsto no início [do governo], seria alguém colocado contra Bolsonaro como um concorrente muito forte."

    Para demonstrar as ambições políticas de Moro, Prando ressalta que o ex-juiz disse que seu plano para a segurança pública seria uma espécie de "Plano Real" contra a violência. Após anos de inflação, o Real garantiu estabilidade nos preços e pavimentou o caminho do então ministro Fernando Henrique Cardoso para a presidência da República. 

    A Procuradoria-Geral da República chamou o procurador e coordenador da Força-Tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, e outros membros da operação contra a corrupção para uma "reunião institucional" na terça-feira (16), afirma o UOL. Já o The Intercept Brasil, responsável de começar a publicar os vazamentos de Moro, afirma que fontes dizem que o afastamento do ministro pode servir para que seja realizada uma operação da Polícia Federal contra a suposta fonte dos arquivos — e que seria estimulada a confessar ter vazado e adulterado as conversas.

    Mais:

    Merece mesmo? Brasileiros indagam indicação de Eduardo Bolsonaro à embaixada nos EUA
    Bolsonaro nega que indicar filho Eduardo como embaixador nos EUA seja nepotismo
    'Fritei hambúrguer': memes do futuro embaixador Eduardo Bolsonaro inundam a web (FOTOS)
    Mais Médicos: Bolsonaro quer volta de cubanos após acusá-los de serem espiões
    Centrais sindicais fazem últimos esforços contra reforma de Guedes e Bolsonaro
    Diplomata: aprovar indicação do filho de Bolsonaro para embaixada em Washington não será fácil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar