13:29 20 Novembro 2019
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    Jornalista americano Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil

    Ameaças a Glenn Greenwald são atentado à liberdade de imprensa no Brasil, diz líder da FENAJ

    © Foto / Fernando Frazão / Agência Brasil
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    Líder da equipe de jornalistas do site The Intercept Brasil, o jornalista americano Glenn Greenwald vem sendo alvo de ameaças por conta da série de reportagens em torno das supostas mensagens trocadas na Operação Lava Jato, e isso pode ser considerado um atentado à liberdade de imprensa no Brasil.

    É esta a opinião da presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Maria José Braga, que enxerga nas matérias do site, que expuseram o que seriam as conversas entre o então juiz federal Sergio Moro e os procuradores do Ministério Público Federal (MPF), um exercício claro do jornalismo no país.

    "É importante salientar que o site The Intercept Brasil está fazendo jornalismo. E o que é fazer jornalismo? É buscar informações de interesse público e reportar essas informações de interesse público para a sociedade [...]. O jornalista de qualquer veículo, ao ter conhecimento de uma informação importante para a vida nacional, para o debate público, a sua obrigação reportar essa informação para toda a sociedade", disse ela à Sputnik Brasil.

    Nas últimas semanas, a série que ficou conhecida como Vaza Jato trouxe ao conhecimento público uma série de mensagens que, segundo o site de Greenwald, demonstrariam o que Maria José Braga chamou de "conluio" entre Moro e os procuradores da operação para condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    "No caso específico da Lava Jato e mais especificamente em relação à condenação do presidente Lula, sempre houve uma dúvida sobre a suspeição do juiz Sergio Moro e também dos procuradores encarregados da denúncia do Ministério Público, em razão da falta de provas concretas que havia, e mesmo sem provas concretas houve condenação", comentou a presidente da FENAJ, para quem o petista foi condenado injustamente.

    A reação de Moro, do MPF e de setores da sociedade favoráveis à Lava Jato e ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi crítica a Greenwald, acusando-o de estar fazendo política partidária com a série de reportagens. Segundo o jornalista, ele e seu marido, o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ), foram alvos de ameaças.

    © REUTERS / STRINGER/ Rahel Patrasso
    Ato em defesa de Moro e da Lava Jato em São Paulo neste domingo (30).

    "A FENAJ, juntamente com o Sindicato de Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro, [estado] onde o site The Intercept Brasil está baseado, já divulgou uma nota pública considerando muito graves as ameaças contra o jornalista Glenn Greenwald e à sua família, e essas ameaças constituem um atentado à liberdade de imprensa no Brasil. Todo cuidado das autoridades precisa ser tomado, elas precisam estar atentas para garantir a integridade física do jornalista e de seus familiares, e que ele possa continuar, junto com os seus colegas do site, prosseguindo com esse trabalho em prol da sociedade brasileira", declarou Maria José Braga.

    A presidente da FENAJ participaria de uma audiência com Greenwald nesta segunda no Conselho Nacional de Comunicação Social, organismo mantido pelo Congresso Nacional. Contudo, o encontro acabou sendo cancelado pela ausência de vários dos convidados, dentre os quais estava o jornalista do The Intercept Brasil e a própria representante dos jornalistas.

    Apesar da audiência não ter sido realizada, Maria José Braga pontuou que cabe às autoridades não só garantir a integridade dos jornalistas de todo o Brasil, mas também de respeitar o que diz a Constituição – ela relembrou que a Constituição Federal garante o sigilo da fonte, e não cabe ao jornalista revelar a origem de suas informações.

    "O jornalista, se ele obtém informação relevante e a fonte que passou a informação não quer ser identificada e pede para não ser identificada, o jornalista tem a prerrogativa constitucional de manter o sigilo da fonte. A forma com que essa fonte obteve essa informação não é da alçada do jornalista. Isso é da alçada das autoridades policiais e o jornalista não tem que se reportar a isso. O jornalista tem que analisar a relevância da informação, a confiabilidade dessa fonte, e ele considerando essa fonte confiável, considerando o material recebido de interesse público, a sua obrigação é divulgar", completou.

    Para a presidente da FENAJ, é "muitíssimo difícil" que a população brasileira não esteja interessada no conteúdo das reportagens do site sobre as mensagens trocadas pela Lava Jato, as quais, segundo já declarou o próprio Greenwald, estão apenas no início.

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    Tags:
    Deltan Dallagnol, Jair Bolsonaro, liberdade de imprensa, corrupção, jornalismo, Luiz Inácio Lula da Silva, política, Operação Lava Jato, Glenn Greenwald, Sérgio Moro, Maria José Braga, Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Brasil
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