01:35 18 Julho 2019
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    President Donald Trump presents Brazilian President Jair Bolsonaro with a U.S. national team soccer jersey during a meeting in the Oval Office of the White House, Tuesday, March 19, 2019, in Washington. (AP Photo/Evan Vucci)

    Especialista acusa governo Bolsonaro de ser 'muito amador' em política externa

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    A partir desta segunda-feira (17), turistas vindos da Austrália, Canadá, EUA e Japão não precisam mais de visto para entrar no Brasil. A medida foi anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro durante visita aos Estados Unidos, em março.

    Os estrangeiros beneficiados pela medida poderão ficar no Brasil por até 90 dias, com a possibilidade de prorrogar este prazo por mais 90 dias. 

    A medida, contudo, não é reciproca e os brasileiros continuarão precisando de vistos para entrar nos quatro países favorecidos pelo decreto do Bolsonaro. 

    A reciprocidade é uma ferramenta tradicional da diplomacia, que estabelece que benefícios e acordos devem ser de mão dupla. Quando da decisão de Bolsonaro, o Ministério do Turismo afirmou que a medida era um "um aceno que fazemos para países estratégicos no sentido de estreitar as nossas relações" e que a isenção de vistos para brasileiros pode vir no futuro.

    O embaixador aposentado Jório Dauster afirma que é necessário "não ser hipócrita" e acredita que se os brasileiros tivessem isenção de visto nos países beneficiados pela medida "nós poderíamos encontrar uma situação desagradável para o Brasil, uma corrida de muita gente".

    "Você vê que os brasileiros participam dessas aventuras brutais, pagando pessoas que na verdade são exploradores da miséria, que conduzem essas pessoas a entrada em países como Estados Unidos."

    Dauster acredita que a medida pode fomentar o turismo e ajudar a diminuir o desemprego no Brasil, que atinge mais de 13 milhões de pessoas.

    Enquanto o Brasil recebeu 6,6 milhões de turistas em 2018, apenas a Torre Eiffel, na França, teve 7 milhões de visitas no mesmo período, segundo levantamento do Poder360.

    Bolsonaro chegou a afirmar nos Estados Unidos que "a maioria dos imigrantes não tem boas intenções". Diante da repercussão negativa, Bolsonaro recuou de sua declaração e classificou sua fala como um "equívoco".

    Já Raquel Rocha, doutora em relações internacionais pela USP, ressalta que a isenção de vistos representa a perda de uma fonte de renda para a diplomacia em um momento de corte de gastos e que os benefícios são incertos.

    Ela sublinha outra medida tomada sem contrapartida clara: a decisão do Brasil de abrir mão do tratamento diferenciado que os países em desenvolvimento recebem na Organização Mundial do Comércio (OMC) em troca do apoio de Washington à adesão do país à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

    "São promessas muito ousadas e um cálculo que me parece muito amador, para não dizer outra palavra. Toda movimentação do governo Bolsonaro, especialmente em política externa, é sempre muito amador, parece que não fizeram a aula introdutória das relações internacionais."

    Rocha ressalta que o momento é de "alinhamento automático" com os Estados Unidos e que essa medida é frágil porque Trump é "imprevisível."

    Ainda de acordo com a doutora pela USP, o Brasil abre um precedente perigoso ao fornecer benesses sem contrapartida porque outros países podem pedir os mesmos benefícios. 

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