20:48 06 Dezembro 2019
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    Jair Bolsonaro ao lado do ministro da Economia, Paulo Guedes

    Hecatombe à vista? Guedes ensaia deixar o governo se Previdência só ganhar 'reforminha'

    © AP Photo / Eraldo Peres
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    Se a Reforma da Previdência pretendida pelo governo Bolsonaro virar uma "reforminha", o ministro da Economia Paulo Guedes assegurou que deixará o cargo, segundo declarou o próprio em uma entrevista publicada pela revista Veja nesta sexta-feira.

    "Pego um avião e vou morar lá fora. Já tenho idade para me aposentar", afirmou Guedes, de acordo com a publicação. "Se não fizermos a reforma, o Brasil pega fogo. Vai ser o caos no setor público, tanto no governo federal como nos estados e municípios", prosseguiu.

    O economista, tido como um dos principais fiadores (ao lado do ministro da Justiça Sérgio Moro) do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), destacou ainda que o Brasil pode quebrar já em 2020, caso a reforma previdenciária não saia como o previsto.

    Ciente da força das suas palavras, porém, o "Posto Ipiranga" de Bolsonaro garantiu que não é "irresponsável" ou "inconsequente", e que espera pela reforma – medida pela qual, de acordo com a entrevista, deu a entender que o resultado terá impacto direto pela sua permanência ou saída do governo.

    "Eu não sou irresponsável. Eu não sou inconsequente. Ah, não aprovou a reforma, vou embora no dia seguinte. Não existe isso. Agora, posso perfeitamente dizer assim: 'Olha, já fiz o que tinha de ter sido feito. Não estou com vontade de ficar, vou dar uns meses, justamente para não criar problemas, mas não dá para permanecer no cargo'. Se só eu quero a reforma, vou embora para casa", ponderou Guedes.

    O ministro ainda garantiu que Bolsonaro está empenhado em aprovar a reforma sugerida por ele e sua equipe, com a previsão de economia de até R$ 1,2 trilhão nos próximos dez anos. Contudo, Guedes espera por uma desidratação no Congresso, mas estima que não pode ultrapassar os R$ 800 milhões.

    Segundo a reportagem da revista, o economista de Bolsonaro reafirmou que a Reforma da Previdência buscada pelo governo não busca apenas equilibrar as contas públicas, que enfrentam forte déficit, porém também corrigir o que ele chama de enormes desigualdades.

    Esta não é a primeira vez que Guedes sinaliza que pode deixar o governo. Em março, durante uma audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), ele declarou que não tem apego ao cargo, afirmando que não pretende brigar para seguir como ministro.

    "Se o presidente apoiar as coisas que acho que podem resolver para o Brasil, estarei aqui. Agora, se o presidente, ou a Câmara ou ninguém quer aquilo, eu vou obstaculizar o trabalho dos senhores? De forma alguma. Eu voltarei para onde sempre estive. Eu tenho uma vida fora daqui", esclareceu.

    "Aí eu venho para ajudar, acho que tenho umas ideias interessantes. Aí o presidente não quer, o Congresso não quer, vocês acham que vou brigar para ficar aqui? Eu estou aqui para servi-los. Se ninguém quiser o serviço, foi um prazer ter tentado. Mas não tenho apego ao cargo e desejo de ficar a qualquer custo, como também não tenho a inconsequência e a irresponsabilidade de sair na primeira derrota", acrescentou.

    Desde o início do governo Bolsonaro, a presença de Guedes e Moro representa base sólida para o apoio do mercado e da sociedade ao governo do ex-capitão do Exército. A saída de um deles ou de ambos, de acordo com analistas, representaria um caos político e econômico para o Palácio do Planalto.

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    Tags:
    capitalização, política, economia, reforma da previdência, Ministério da Economia do Brasil, Revista Veja, Jair Bolsonaro, Sérgio Moro, Paulo Guedes, Brasil
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