15:03 25 Agosto 2019
Ouvir Rádio
    O general, Carlos Alberto dos Santos Cruz, ministro da secretaria de governo.

    Especialista: Briga entre alas militar e ideológica 'boicota o governo como um todo'

    © Foto : Marcello Casal Jr/Agência Brasil
    Brasil
    URL curta
    1100

    A recente campanha contra o secretário de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz tornou mais evidente a divisão entre a ala ideológica ligada ao astrólogo Olavo de Carvalho e a militar, com representantes em vários ministérios. Para professor, disputa saiu do campo ideológico e assumiu postura de ataques à honra.

    A confusão começou quando internautas resgataram uma entrevista antiga, na qual o general defendia a regulamentação das redes sociais no Brasil. Incitados por Olavo, internautas fizeram subir a hashtag #ForaSantosCruz, chamando o militar de "traidor" e "comunista". Longe de colocar fim na discussão, Bolsonaro usou o Twitter para manifestar admiração pelo astrólogo e pelos colegas militares, declarando que a questão era "página virada" em Brasília.

    Fora do perímetro do Planalto, porém, a questão continua viva. Nesta terça, o astrólogo voltou ao Twitter e mais uma vez disparou contra o general. Aos seguidores, Olavo chamou Santos Cruz de "politicamente analfabeto, não sabe nem mesmo a distinção entre governo e Estado". Ainda de acordo com o jornal O Globo, o vereador Carlos Bolsonaro teria se vangloriado para interlocutores sobre a exposição pública do militar, dizendo ter "explodido" o ministro.

    ​Para o cientista político e professor da UFRJ, Paulo Baía, a disputa entre "a ala ideológica e os militares é algo que boicota o governo como um todo". O especialista diz acompanhar com preocupação os ataques se tornarem ofensas à "honra pessoal" dos generais na Esplanada dos Ministérios e considera ser necessária uma postura mais firme do presidente Jair Bolsonaro.

    "Bolsonaro precisa ser cristalino sobre a questão para evitar o crescimento do conflito. Os militares são mais organizados e pela tradição de estudos, conhecem bem os problemas do Brasil. A postura mais comedida atrapalha disputas ideológicas de outros envovidos porque eles possuem solidez [construída] na formação e ao longo da trajetória profissional. Ninguém chega a general do nada", critica Baía.

    O professor avalia que a guerra informacional também tem atingido outros membros prestigiados do governo.

    "A ala ideológica vem atacando o General Santos Cruz [ministro da Secretaria da Presidência], o assessor especial general  [Eduardo] Villas Bôas, ambos com um discurso técnico e ponderado. Esses ataques tem prejudicado a eficiência governamental, gerando um clima de insegurança que não se restringe apenas aos dois grupos, fazendo a presidência patinar. Vejo não uma discussão de pontos de vista diferentes em busca de um projeto melhor e sim uma postura de destruição da [reputação] das instituições militares", diz Paulo, para quem a postura de Olavo e dos filhos de Bolsonaro "boicota o governo como um todo".

    Baía diz ser favorável ao direito de Olavo de Carvalho em expressar suas opiniões, mas que considera problemático quando o discurso de enfrentamento é ecoado por "ministros do governo e pelos filhos do presidente, cuja atividade política não pode ser dissociada da imagem do pai".

    "Em algum momento, ele [Jair Bolsonaro] uma posição incisiva quanto a este momento que já saiu da disputa político-ideológica para ofensas graves a nível pessoal, à honra das pessoas".

    Tags:
    Palácio do Planalto, UFRJ, Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Eduardo Villas Bôas, General Santos Cruz, Olavo de Carvalho, Paulo Baía, Brasil, Brasília
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik
    • Comentar