11:53 15 Setembro 2019
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    Visão geral das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2

    Sem preconceitos: por que Brasil deveria apostar na energia nuclear?

    © AFP 2019/ Vanderlei Almeida
    Brasil
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    Por Tatyana Yudina
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    Segundo especialistas, energia nuclear é um componente necessário para o desenvolvimento energético sustentável. Às margens do Fórum ATOMEXPO 2019, a Sputnik Brasil falou com Celso Cunha, presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares, que revelou perspectivas da energia nuclear no Brasil.

    Anteriormente, a diretora-geral da Associação Nuclear Mundial (WNA na sigla em inglês), Agneta Rising, declarou que o Brasil deveria aumentar a cota-parte da energia nuclear na matriz elétrica. Em entrevista à Sputnik Brasil, Celso Cunha, presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares, revelou como o Brasil planeja promover o uso dessa fonte de energia e falou sobre o Plano Nacional de Energia 2050 (PNE 2050).

    "O Brasil tem uma matriz muito diversificada, temos muitos recursos em todas as áreas – eólica, solar, gás, recurso hídrico é muito forte no Brasil, temos muito hidroelétrico. Nós passamos por um sistema em transformação […] e o Brasil, ele veio avançando durante os anos, mas o programa nuclear ficou sempre em segundo plano. E por último agora tivemos problemas como o mundo todo sabe, envolvendo corrupção. Isso tudo prejudicou muito programa nuclear", explicou Cunha à Sputnik Brasil.

    Entretanto, Celso Cunha sublinhou que a situação deveria mudar com a entrada do novo governo que planeja desenvolver o programa nuclear brasileiro.

    "Até o inicio de agosto será escolhido parceiro para terminar a construção de Angra 3 [a terceira usina nuclear do Brasil que está em construção desde 1971 e cujas obras foram paralisadas]. Esse é o primeiro passo que foi dado", sublinhou Cunha.

    Além disso, "até dezembro desse ano vai ser anunciado o plano até 2050, esse plano deverá vir com novas usinas porque a gente vive um momento em que é colocada muita [energia] solar e eólica na nossa matriz, mas só que elas são ininterruptas, elas se oscilam, elas não são energia de base, como a gente fala, né. E as nossas hidroelétricas estão passando por um problema de recomposição dos reservatórios de água, nós temos um problema hídrico".

    A energia nuclear poderia abastecer o Brasil de modo eficaz e limpo. Segundo Cunha, o programa para 2050 prevê a construção de quatro a seis novas usinas.

    "Hoje a energia nuclear é responsável por 2,5% do consumo de energia no Brasil, se forem construídas mais seis usinas, a gente pode falar em chegar até 8%. Devemos chegar perto de 7-8% da matriz até 2050, o que é muito porque o Brasil tem uma posição reativa em relação ao uso de renovados muito favorável em relação aos outros países", afirmou o especialista.

    "Temos todo o apoio do Ministério [de Minas e Energia] que não olha mais para a energia nuclear com certo preconceito. O Brasil olhava para a energia nuclear de uma forma muito preconceituosa e agora isso vem aos poucos mudando", declarou Cunha.

    Quanto à participação estrangeira na construção da usina nuclear Angra 3, o especialista sublinhou que várias empresas estrangeiras já manifestaram interesse de participar nas obras, incluindo a russa Rosatom, a francesa EDF e a chinesa CNNC, entre outras. Prevê-se que o edital para escolha de empresa seja publicado em agosto desse ano.

    De acordo com iniciativa Harmony da Associação Nuclear Mundial, a indústria nuclear, considerada uma fonte de energia limpa, barata, segura e confiável, deverá abastecer 25% da eletricidade mundial até 2050.

    O Fórum internacional ATOMEXPO 2019 foi realizado na cidade russa de Sochi entre 15 e 16 de abril. O tema principal do fórum é desenvolvimento das tecnologias nucleares para uma vida melhor. O Fórum se tornou palco de debate sobre as perspectivas e desafios do setor nuclear global.

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