09:44 20 Abril 2019
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    Premiê israelense Benjamin Netanyahu e presidente eleito Jair Bolsonaro no Forte de Copacabana, Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 2018

    Bolsonaro e Israel: aproximação pela fé evangélica ou lobby financeiro judaico?

    © AP Photo / Leo Correa/Pool
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    Thiago de Araújo
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    O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, foi o primeiro líder de peso no cenário mundial a confirmar que viria para a posse do então presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro. Era dia 29 de outubro de 2018 quando os dois líderes, por telefone, trocaram mensagens de respeito mútuo e estabeleceram um novo paradigma nas relações entre os dois países.

    Mas o que há por trás disso? A Sputnik Brasil ouviu especialistas para buscar compreender o que há por trás das relações bilaterais renovadas entre Brasília e Tel Aviv, aproximação esta antes vista pela última vez no governo do presidente João Goulart, deposto por um golpe dos militares em 1964. Foi também a última vez em que a diplomacia brasileira considerou seriamente transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

    Como naqueles tempos, o Brasil vive tempos de polarização intensa em 2019. A mais recente discussão sobre uma possível transferência da embaixada brasileira para Jerusalém já rendeu discórdias dentro do governo – colocando militares e a ala do agronegócio de um lado, e olavistas e evangélicos de outro –, assim como fora, com ameaças de retaliação por parte de importantes parceiros árabes.

    O aspecto religioso, aliás, é visto como um aspecto fundamental na disputa em torno da aproximação do atual governo brasileiro com Israel, após anos de uma política externa brasileira mais próxima a países do Oriente Médio nada apreciados por Tel Aviv, como o Irã, e com indicativos pró-Palestina – durante a era petista, a Palestina chegou a ser reconhecida como um Estado soberano por Brasília.

    Contudo, somente a fé explica o arriscado movimento de mudança da embaixada que poderia ser anunciado entre os dias 31 de março e 3 de abril, quando Bolsonaro fará uma visita oficial a Israel? Ou haveria um cenário organizado se formando em torno de um lobby judaico, como aquele amplamente documentado nos Estados Unidos?

    Diplomacia evangélica

    "Queremos vender soja e minério de ferro, mas não vamos vender nossa alma. Querem reduzir nossa política externa a uma política comercial, e isso não vai acontecer", alertou no último dia 11 o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, durante uma aula magna para alunos do Instituto Rio Branco, referência na formação de diplomatas brasileiros.

    A declaração foi alvo de críticas pelo seu tom messiânico, mas trouxe poucas surpresas diante de um chanceler que, antes de aceitar o convite de Bolsonaro para comandar o Itamaraty, já criticava o multilateralismo e atacava o "globalismo" como uma nova faceta do "marxismo cultural" presente no mundo contemporâneo. Além do nacionalismo, a fé cristã costuma aparecer nos discursos de Araújo.

    Embora pareça algo recente, a interação entre política internacional e religiões é algo que o atual chanceler brasileiro pôde acompanhar muito de perto. Isto porque o seu sogro, o embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa, comandou enquanto representante do Brasil no Vaticano um curso para diplomatas que oferecia a verdadeira "diplomacia do Evangelho".

    Presidente Jair Bolsonaro ao lado do chanceler Ernesto Araújo
    © Foto : Divulgação / Twitter Ernesto Araújo
    Presidente Jair Bolsonaro ao lado do chanceler Ernesto Araújo

    "O fenômeno de interação entre religião e política internacional é uma das maiores realidades de hoje, mas não é percebido deste modo pelas chancelarias governamentais na América Latina. É uma relação que talvez seja menos evidente [agora] que nos momentos em que também foi causa de conflito, mas continua sendo relevante", declarou Seixas em uma entrevista em maio de 2010.

    Procurado pela Sputnik Brasil para falar sobre o assunto, Seixas não retornou os contatos feitos pela reportagem.

    Entretanto, ao contrário do sogro – um defensor conhecido dos interesses brasileiros e, sobretudo, do multilateralismo –, Araújo vem defendendo um alinhamento claro com os Estados Unidos. Mais ainda: a política externa do governo Bolsonaro quer se colar na imagem do presidente estadunidense Donald Trump, um ídolo tanto do chanceler (que já o chamou de "salvador do Ocidente") quanto do próprio presidente da República e seus filhos.

    "As movimentações da política externa brasileira, da diplomacia brasileira nas relações exteriores estão muito personalizadas e terminam refletindo a própria precariedade da concepção dessa política. Ela não é uma política de Estado, ela é uma política do governo Bolsonaro. Do mesmo jeito que eu digo que não é uma política de Estado com os EUA, é com o Trump", disse à Sputnik Brasil o professor de Relações Internacionais da Universidade Mackenzie, Arnaldo Francisco Cardoso.

    De acordo com o docente, estar próximo de Israel faz parte de um plano maior do atual governo brasileiro de alinhamento com as políticas e interesses da Casa Branca. E é em Washington que repousa um dos trunfos de Tel Aviv na sua política externa: o seu organizado e poderoso lobby junto ao Congresso dos EUA e perante o Partido Republicano – incluindo o presidente Trump.

    Força evangélica com impulso financeiro?

    Em um polêmico trabalho que virou livro em 2007, os professores norte-americanos John Mearsheimer e Stephen Walt esmiuçaram o que chamaram de "Lobby de Israel", que teria como principal interesse a estratégia de convencimento de que "os interesses dos Estados Unidos e os de Israel são idênticos". Mais do que a diplomacia, de acordo com o trabalho, organismos como o Comitê de Assuntos Públicos EUA-Israel (Aipac) seriam importantes elementos de pressão sobre a política estadunidense.

    "Outros grupos de interesse específicos conseguiram influenciar a política externa, mas nenhum lobby conseguiu desviá-la para tão longe do que o interesse nacional indicaria, ao mesmo tempo convencendo os americanos de que os interesses dos Estados Unidos e os do outro país – no caso, Israel – são essencialmente idênticos", publicaram os autores.

    Todavia, a estruturação de tal lobby judaico junto à classe política dos EUA parece ser uma exclusividade da sociedade norte-americana, de acordo com analistas ouvidos pela Sputnik Brasil. Segundo eles, não há dados ou elementos que possam hoje ligar a aproximação de Israel do governo brasileiro, ou a ideia da transferência da embaixada para Jerusalém, a um esforço de grupos de pressão de origem judaica.

    "Não vejo essa atuação dessa forma que você colocou que acontece em outros lugares, mas institucionalmente eu entendo que as organizações que representam o Estado de Israel têm feito o seu papel, em levar a sua mensagem, de esclarecer pontos que precisavam ser esclarecidos, promover a aproximação. Entendo que a diplomacia de Israel tem sido muito competente, muito eficiente", avaliou o deputado federal Roberto de Lucena (Podemos-SP), pastor da Igreja O Brasil Para Cristo (OBPC), em entrevista à Sputnik Brasil.

    Já para o coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos e Árabes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NIEJ-UFRJ), Leonardo Perin Vichi, a possibilidade de um lobby judaico de cunho financeiro organizado não teria como prosperar no Brasil de hoje, a começar pelo fato da comunidade judaica estar bastante polarizada, com segmentos fortes à esquerda e à direita.

    "Talvez eu veja que a presença judaica, a influência judaica nesse processo [político] seria muito etérea, quase pouco perceptível, e é um movimento muito novo. O que a gente vê dentro da comunidade judaica hoje é um movimento que precisa ser melhor observado, que começou ali em abril de 2017 quando Bolsonaro fez uma fala no Clube Hebraica, aqui no Rio de Janeiro, e isso gerou uma grande cisão dentro da própria comunidade judaica. Essa cisão revelou uma faceta da comunidade judaica aqui no Brasil que até então era inédita: grupos antes emaranhados fugiram de uma discrição que havia anteriormente, que se alinhavam ao governo, e que reproduziam até mesmo uma certa agressividade ao discurso do resto do eleitorado desse governo. Essa manifestação dentro da comunidade judaica eu diria que é algo muito novo. É prematuro o diagnóstico e talvez seja preciso mais tempo para nós termos uma dimensão que não se tem dos sionistas nesse processo que é um pouco complexo", avaliou.

    Quem viveu na pele tal racha dentro da esfera judaica brasileira foi o empresário Rubens Goldenberg. Ele é diretor de Relações Institucionais e um dos fundadores da Associação Sionista Brasil-Israel (ASBI), entidade fundada há dois anos e que, segundo ele, já conta com 20 mil membros pelo país. A organização se alinhou abertamente à campanha de Bolsonaro, e possui um tom crítico a outros organismos mais tradicionais, como a Confederação Israelita do Brasil (CONIB), que abrigaria "esquerdistas".

    "Nós temos empresários, advogados… dentro do segmento dos brasileiros de origem judaica nós temos de tudo, tem rico, tem pobre, a associação não discrimina empresários ou se o cara é garçom, ou se é empreiteiro ou se é motorista. Todos aqueles que confabulem com o nosso pensamento de livre iniciativa querem fazer parte, e nós temos um grande apoio, é importante dizer, da igreja evangélica, para dizer melhor, das igrejas cristãs", destacou Goldenberg, outro que nega a presença de um lobby econômico israelense.

    Procurada pela Sputnik Brasil, a CONIB informou que não daria entrevista.

    A sugestão de que o poder econômico judeu poderia ter qualquer influência na política brasileira cria muito desconforto dentro da comunidade judaica, conforme revelou o historiador Gabriel Steinberg, doutor em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas pela Universidade de São Paulo (USP). À Sputnik Brasil, o pesquisador garantiu que tal suspeita "não tem cabimento nenhum".

    "Acho que o Brasil por si mesmo é muito maior e a influência da comunidade judaica é muito pequena para a política brasileira. O que há é um novo alinhamento desse governo com regimes políticos de direita ou de centro-direita, como é o caso de Israel e isso eu acho que está coerente com a aproximação do Bolsonaro, daqueles que o sustentam e apoiam, com a política norte-americana", analisou.

    "O outro elemento muito nítido aqui é o apoio de toda a plataforma das igrejas neopentecostais que exercem sobre ele maior influência ideológica, de que ele deveria transferir a embaixada para Jerusalém como cumprimento da promessa divina que eles acreditam, de que disso vai depender uma redenção, a volta de Jesus, mas isso é uma coisa relativa", acrescentou Steinberg.

    'Apocalipse' vira combustível por embaixada em Jerusalém

    "Israel é um Estado soberano. Se os senhores decidirem qual é a sua capital, nós os seguiremos", garantiu Bolsonaro a um jornal de Israel, na semana seguinte à sua eleição. Desde então, a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém – movimento só feito pelos EUA e pela Guatemala até aqui – vem gerando dores de cabeça ao presidente brasileiro.

    Bandeira israelense em Jerusalém
    © AFP 2019 / THOMAS COEX
    Bandeira israelense em Jerusalém

    Entre avanços no discurso a favor – o premiê Netanyahu deixou o Brasil dando a entender que teria uma "promessa" de Bolsonaro pela mudança da embaixada – e recuos, como quando o vice-presidente Antônio Hamilton Mourão declarou que a mudança diplomática no Oriente Médio não é uma prioridade do Brasil, uma decisão de Brasília sobre o tema parece não estar tão próxima quando se pensava.

    "Eu não acredito que o presidente faça nenhum movimento mais decisivo nessa direção, mas também imagino que ele vá manter isso como um compromisso, mas sem um programa ou uma agenda para a efetivação disso", ponderou o professor Arnaldo Francisco Cardoso. Um ponto de vista semelhante é compartilhado pelo historiador Gabriel Steinberg.

    "Eu não acho que isso vai ser feito na viagem que Bolsonaro vai fazer a Israel assim de surpresa. Existe a intenção, que foi abertamente pronunciada pelo presidente Bolsonaro e há a esperança de Israel de que isso aconteça, mas eu acho que isso é uma coisa que tem que ser planejada com antecedência e não pode ser feita assim, de surpresa", opinou.

    O maior entrave para a transferência da embaixada brasileira para Jerusalém é o temor por uma retaliação do mundo árabe, grande parceiro comercial brasileiro há décadas, sobretudo de setores como o agronegócio e a indústria bélica. Até mesmo a Bancada Evangélica, que apoia e advoga abertamente em favor da mudança da embaixada, entende que o tema deve ser tratado com cuidado, em busca de uma saída diplomática.

    "Entendo a disposição do governo de assumir essa posição […] ele demonstrou o respeito que temos por Israel, pela sua história. Entendo que, embora seja algo que eu deseje, que eu tenha lutado, não é uma tarefa simples, se fosse assim já teria sido feito. Ela é envolvida por um conjunto de variáveis. Eu continuo defendendo, continuo apoiando, me agrada ver a postura do governo definida em relação a esse assunto, agora a minha leitura é de que isso não seja uma condicionante nesse aprofundamento e aquecimento das relações entre os dois países", disse o deputado Roberto de Lucena.

    O que é certo é que os evangélicos não deixarão o tema desaparecer da agenda da política externa brasileira. Conforme explicou à Sputnik Brasil o coordenador executivo do Instituto Brasil-Israel, Rafael Kruchin, o alinhamento entre Brasília e Tel Aviv é uma "dívida" a ser paga em prol das aspirações de quase 60 milhões de brasileiros que se declaram evangélicos, os quais vêm sendo expostos a práticas e símbolos judaicos que atendem ao chamado dispensacionalismo.

    "Tudo isso é um cenário que tem crescido muito no Brasil nas últimas décadas, e essa aproximação dos evangélicos tem como princípio e motivo a Teologia Apocalíptica Pentecostal. Os seguidores dessa doutrina acreditam que, em algum momento, Jesus Cristo vai retornar à Terra e que essa segunda vinda de Jesus, e aí há o Armagedom e o Juízo Final, só vai acontecer quando os judeus retomarem Jerusalém e a Terra Santa. Ou seja, a premissa é de que se a primeira vinda de Jesus teve como premissa a salvação do povo judeu, a segunda vinda dele terá o mesmo motivo", explicou.

    Ainda de acordo com Kruchin, a chamada diplomacia evangélica em andamento na era Bolsonaro pode ser comparada ao sionismo cristão, cuja perspectiva aborda "essa relação com o Estado de Israel que vem não dos judeus, mas sim dos evangélicos".

    "Porque muita gente atribui esse apoio a Israel, a essa relação do governo atual com Israel, aos judeus, e aí aparecem muitas agendas conspiratórias de lobby judaico, lobby sionista, e até perspectivas antissemitas têm aparecido de que os judeus e os sionistas influenciaram as eleições brasileiras. Então há um problema muito grande com essas teorias conspiratórias e há um equívoco muito grande de que os judeus é que estão liderando essa relação do governo atual com Israel, porque são principalmente setores do público evangélico que […] incorporam a liturgia judaica e que apoiam Israel cegamente ou veementemente", complementou.

    Na última tentativa de convencer o Itamaraty a abraçar mudança da embaixada para a Cidade Sagrada foi feita pela diplomacia israelense na década de 1960. Segundo pesquisa conduzida por Jonathan Grossman, pós-doutorando no Instituto de Estudos Israelenses da Universidade do Texas, o chamado Plano Jerusalém consistia em convencer os três principais países latino-americanos – Brasil, Argentina e México – a tirar suas embaixadas de Tel Aviv, movimento que 10 das 14 nações da região já haviam realizado.

    "A cooperação técnica israelense, composta apenas por projetos de pequena escala, foi muito apreciada pelo Brasil e reforçou a reputação e o prestígio de Israel entre as nações do mundo. Mas o fato é que no início dos anos 1960, as relações com Israel não eram indispensáveis para o Brasil. Isso é melhor manifestado na reação brasileira ao Plano Jerusalém. Como vimos, o Brasil estava genuinamente tentando agradar e apaziguar Israel sobre esse assunto, e fez vários gestos para a possibilidade de uma embaixada brasileira ser estabelecida em Jerusalém, mas, ao mesmo tempo, nunca havia feito um único ato concreto nem emitido qualquer declaração pública que promoveu essa ideia. Os brasileiros, obviamente, não podiam se arriscar a comprometer seus laços com a Igreja Católica e os árabes, que eram muito mais importantes para eles do que Israel", escreveu Grossman em seu trabalho, baseado em pesquisas de documentos diplomáticos da época.

    Logo após o golpe de 1964, sobretudo na década de 1970, os militares abraçaram o mundo árabe, incentivados em grande parte pela crise do petróleo e a consequente dependência pelo fornecimento de combustíveis fósseis. Assim como há 40 anos, mais uma vez a ala militar, prestigiada e em postos-chave do governo Bolsonaro, pode ter um papel relevante nesse embate interno com os evangélicos quanto ao tema da embaixada.

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    Tags:
    Plano Jerusalém, Teologia Apocalíptica Pentecostal, diplomacia evangélica, multilateralismo, globalismo, marxismo cultural, bancada evangélica, apocalipse, palestinos, lobby, evangélicos, judeus, embaixada, relações bilaterais, religião, diplomacia, Instituto Brasil-Israel, Comitê de Assuntos Públicos EUA-Israel (Aipac), Associação Sionista Brasil-Israel (ASBI), Confederação Israelita do Brasil (Conib), Instituto Rio Branco, USP, UFRJ, Itamaraty, Jonathan Grossman, Rafael Kruchin, Gabriel Steinberg, Rubens Goldenberg, Leonardo Perin Vichi, Stephen Walt, Luiz Felipe de Seixas Corrêa, Olavo de Carvalho, Ernesto Araújo, Arnaldo Francisco Cardoso, Antonio Hamilton Mourão, Roberto de Lucena, John J. Mearsheimer, Jair Bolsonaro, João Goulart, Jesus Cristo, Donald Trump, Benjamin Netanyahu, Estados Unidos, Tel Aviv, Brasília, Oriente Médio, Irã, Jerusalém, Brasil
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