05:25 20 Maio 2019
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    Colheita de trigo, Rússia

    Bolsonaro pode conceder cota de importação de trigo aos EUA, revela agência

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    Brasil
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    O Brasil está considerando conceder uma cota de importação de 750.000 toneladas de trigo americano por ano, sem tarifas, em troca de outras concessões comerciais, segundo uma autoridade brasileira com conhecimento das negociações antes da visita do presidente Jair Bolsonaro a Washington.

    Isso representa cerca de 10% das importações anuais brasileiras de trigo e faz parte de um compromisso de duas décadas de importar 750 mil toneladas de trigo por ano livres de tarifas que o Brasil fez durante a Rodada Uruguai de negociações sobre agricultura, mas nunca adotou.

    Bolsonaro está programado para chegar a Washington neste domingo e se reunir com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca, na próxima terça-feira.

    Representantes da Bancada Ruralista pediram que as vendas de trigo estejam na agenda, em uma carta a Trump vista pela Agência Reuters. Eles estimam que essa cota aumentaria as vendas de trigo dos EUA entre US$ 75 milhões e US$ 120 milhões por ano.

    O Brasil compra a maior parte do trigo importado da Argentina, e alguns do Uruguai e do Paraguai, sem pagar as tarifas, porque todos são membros do sindicato aduaneiro sul-americano do Mercosul. As importações de outros países pagam uma tarifa de 10%.

    A autoridade brasileira, que pediu para não ser identificada para falar livremente, disse que a cota de trigo pode ser selada durante uma reunião entre a ministra da Agricultura do Brasil, Teresa Cristina Dias, e a secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, na terça-feira.

    Em troca, o governo brasileiro espera ver o movimento em direção à reabertura do mercado dos EUA para as importações de carne bovina fresca do Brasil que foram fechadas após um escândalo da indústria de embalagem de carne envolvendo inspetores subornados.

    O Brasil também está buscando acesso ao mercado dos EUA para suas exportações de limões que enfrentam obstáculos de certificação fitossanitária.

    O maior produtor de açúcar do mundo também quer acesso livre de tarifas ao mercado dos EUA. Mas Washington não deve se mexer com essa questão até que o Brasil elimine uma tarifa e aplique as importações de etanol quando ultrapassarem 150 milhões de litros em um trimestre.

    Essa é uma grande demanda dos produtores norte-americanos de biocombustíveis, que são os principais fornecedores de etanol importado pelo Brasil.

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    Tags:
    agricultura, diplomacia, relações bilaterais, cota, importações, trigo, Teresa Cristina Dias, Sonny Perdue, Donald Trump, Jair Bolsonaro, Brasil, Estados Unidos
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