10:57 20 Setembro 2019
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    Helicóptero dos Bombeiros sobrevoando área depois do rompimento de barragem em Brumadinho (MG)

    ONU cobra investigação imparcial da tragédia em Brumadinho

    © AP Photo / Andre Penner
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    Mar de lama varre Brumadinho após explosão de barragem (56)
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    Especialistas em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) pediram nesta quarta-feira uma investigação imparcial sobre o colapso mortal da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, e sobre a toxicidade dos resíduos da mina de minério de ferro de propriedade da Vale.

     

    Em um comunicado, o especialista da ONU em descarte de substâncias perigosas, Baskut Tuncat, pediu ao governo que priorize as avaliações de segurança de barragens e não autorize novas barragens de rejeitos até que a segurança seja garantida.

    Nesta semana, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Tuncat revelou que solicitou um convite do governo brasileiro por anos, após a tragédia com uma outra barragem da Vale em Mariana, também em Minas Gerais, para visitar as áreas de barragens, mas não obteve retorno.

    A Vale S/A, maior mineradora de minério de ferro do mundo, prometeu sacrificar a produção por segurança para evitar outra ocorrência das falhas na barragem de rejeitos que impediram seu legado, incluindo a barragem que explodiu na cidade de Brumadinho na última sexta-feira.

    Também nesta quarta-feira, um porta-voz da Vale informou que as famílias das vítimas receberão em até três dias uma doação de R$ 100 mil por cada parente perdido na tragédia de Brumadinho. Ele reforçou que o dinheiro não tem vinculação com futuras indenizações.

    Até o momento, já foram confirmadas 84 mortes (67 corpos identificados), enquanto 276 seguem desaparecidos. Outras 192 pessoas foram resgatadas e 391 localizadas. Pelo menos 320 bombeiros atuam nos trabalhos na área, que devem durar semanas e não tem prazo para conclusão.

    Mais perigo

    Dados da Agência Nacional das Águas (ANA) apontam que existem hoje no Brasil 3.387 barragens enquadradas na Categoria de Risco (CRI) alto ou com Dano Potencial Associado (DPA) alto. Destas, 202 com potencial de alto potencial de dano estão em Minas Gerais, estado que contra ainda com outras cinco barragens de alto risco.

    Os números atualizados foram revelados nesta terça-feira pela ANA. A classificação de Dano Potencial alto significa que, caso a barragem se rompa, poderá causar muitas mortes e grande destruição ambiental e material.

    O quinteto de barragens mencionadas como de alto risco em MG ficam nas cidades de Riacho dos Machados, na região norte do estado; em Ouro Preto e em Itabirito, na região central; e duas em Rio Acima, na Grande Belo Horizonte.

    A ANA e demais organismos federais prometeram fiscalizar as barragens, a fim de evitar a repetição de episódios como os de Mariana e Brumadinho.

     

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    Tags:
    rompimento de barragem, rejeitos, barragem, mineração, tragédia, direitos humanos, Agência Nacional das Águas (ANA), Vale, ONU, Baskut Tuncat, Brumadinho, Mariana, Minas Gerais, Brasil
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