04:36 20 Setembro 2019
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    Presidente da Argentina, Mauricio Macri, e o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em Brasília.

    Bolsonaro e Macri: cordialidade sem grandes avanços

    © AP Photo / Eraldo Peres
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    Os líderes das duas maiores economias da América do Sul se reuniram em Brasília nesta quarta-feira para discutir as relações entre os dois países. A Sputnik Brasil conversou com o professor de Economia Política Internacional da UFRJ, Eduardo Crespo, sobre as perspectivas para o Mercosul e a relação entre Brasil e Argentina.

    Mesmo enfrentando uma forte crise econômica, a Argentina é um dos maiores parceiros comerciais do Brasil – é o maior entre os latino-americanos. Recentemente, o Itamaraty e a chancelaria argentina assinaram uma declaração reafirmando a intenção de diminuir as barreiras existentes para o crescimento da relação entre os dois países.

    O argentino Eduardo Crespo, professor de Economia Política Internacional da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), disse em entrevista à Sputnik Brasil que o encontro entre Macri e Bolsonaro foi marcado por formalidade e cordialidade, mas não vê grandes possibilidades de avanço na relação entre os dois países, embora considere que uma melhora na economia brasileira pode gerar impacto positivo para a Argentina. 

    "Evidentemente, uma melhora na economia brasileira que permita aumentar as exportações, principalmente industriais, teria um impacto muito grande no caso da Argentina […] com certeza se alguma das duas economias começasse a crescer de maneira forte, pelo que estamos vendo nos últimos anos, seria um impacto muito positivo. Isso eu não tenho a menor dúvida", destacou. 

    Ao comentar a possibilidade de uma revitalização Mercosul a partir da visita que o presidente argentino fez ao líder brasileiro Jair Bolsonaro, o especialista se demonstrou cético, mas ressaltou que não deve haver um "abandono" do bloco.

    "Duvido que exista uma revitalização. Pelo menos não era o planejado nos últimos anos ou o que dava pra prever. A reunião tem sido com certeza cordial. Eu acho que não vai ter uma ruptura. A boa notícia é essa. Não vai ter ruptura, eliminação ou abandono do Mercosul, mas não tem nenhuma medida concreta", argumentou. 

    "A minha perspectiva é que vai haver um relaxamento do Mercosul na ideia de abri-lo para que existam acordos bilaterais, principalmente acordos de livre e comércio e bilaterais", acrescentou. 

    O presidente eleito Jair Bolsonaro chega ao Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília
    Fotos Públicas / Marcelo Camargo / Agência Brasil
    Eduardo Crespo também comentou as perspectivas do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Segundo ele, os obstáculos para o avanço da acordo não estão tão relacionados à negociação do bloco ou às negociações bilaterais quanto ao conflito de interesses que existe entre as partes. 

    "Aí há interesses contraditórios. Na União Europeia com certeza não há vontade de eliminar os subsídios da produção agrícola, a proteção que tem a produção agrícola. Acho que é o princípal obstáculo para um acordo de livre comércio com a União Europeia. E no caso da América Latina provavelmente a produção industrial poderia ter alguma abertura, que receberíamos aqui uma concorrrência de produtos europeus", completou. 

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    Tags:
    relações bilaterais, Mercosul, Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Mauricio Macri, União Europeia, Argentina, Brasil
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