03:35 20 Janeiro 2019
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    Ex-assessor de Bolsonaro, Fabrício Queiroz

    Queiroz não depõe: ex-assessor de Bolsonaro tem 'doença grave', diz o MP-RJ

    © Foto : Reprodução / SBT
    Brasil
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    O ex-policial militar Fabrício Queiroz, que assessorava o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), possui uma "doença grave" e terá de passar por uma "cirurgia urgente", informou por meio de nota o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) nesta quinta-feira.

    No dia seguinte à sua entrevista exclusiva ao SBT, na qual falou pela primeira vez sobre as altas movimentações financeiras que chamaram a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Queiroz apresentou aos promotores atestados médicos.

    "Os advogados informaram, ainda, que Queiroz estará à disposição para prestar depoimento tão logo tenha autorização médica", informou o comunicado, no qual o MP-RJ aponta que os atestados do ex-PM mostram "comprovam grave enfermidade".

    "Outras diligências já anunciadas estão previstas para ocorrer, entre as quais a possível oitiva do deputado estadual Flávio Bolsonaro, sugerida para o dia 10 de janeiro. No mais, o caso permanece sob total sigilo", acrescentou a mesma nota da Promotoria.

    Anteriormente, Queiroz não compareceu a dois depoimentos marcados pelos promotores – um no dia 19 de dezembro, e outro no dia 21 do mesmo mês –, e seus advogados informaram que o ex-assessor do filho do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) estava com problemas de saúde.

    'Não sou laranja'

    Na sua entrevista ao SBT, Queiroz atribuiu as movimentações atípicas de R$ 1,2 milhão registradas pelo Coaf aos seus negócios, que muitas vezes teriam envolvido a compra e venda de carros. Ele reforçou não ser "laranja" de ninguém e lamentou ter envolvido a família Bolsonaro no episódio.

    "[Ganhava] cerca de R$ 10 mil por mês [como assessor]. Ainda tinha da minha ex-função, cerca de R$ 10 mil a R$ 11 mil. [Por mês], em torno de R$ 23 mil. Sou um cara de negócios. Eu faço dinheiro", declarou Queiroz ao SBT.

    "Compro, revendo, compro, revendo, compro carro, revendo carro, sempre fui assim. Gosto muito de comprar carro em seguradora, na minha época lá atrás, eu comprava um carrinho, mandava arrumar, vendia", complementou o ex-PM, cujo paradeiro segue desconhecido.

    Sobre o depósito feito na conta da futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, Queiroz corroborou a versão dada por Jair Bolsonaro, de que se tratava do pagamento de um empréstimo de R$ 40 mil feito junto ao presidente eleito.

    Jair Bolsonaro
    © Foto : Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

    "Foram 10 cheques de R$ 4 mil. Nunca depositei R$ 24 mil", afirmou, contrariando o documento do Coaf. O ex-assessor também não explicou porque funcionários do gabinete e familiares dele empregados por Flávio Bolsonaro depositavam recursos em sua conta.

    "Esse mérito do dinheiro, eu quero explicar ao MP. São pessoas da minha família. Eu gero o dinheiro da minha família. Minhas filhas trabalham comigo desde os 15 anos. Quando tinha vagas [nos gabinetes], eu pedia para empregá-las. Minha filha que sempre cuidou da mídia do deputado dará esclarecimento", concluiu Queiroz.

    Mais de um integrante da equipe ministerial de Bolsonaro já alegou que o tema envolvendo Queiroz não deve ser relacionado ao presidente eleito. Opositores e críticos, porém, creem que explicações são necessárias, dada a proximidade de Queiroz com a família Bolsonaro, e as movimentações atípicas que teriam passado desapercebidas por eles.

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    Tags:
    doença, investigação, corrupção, política, Ministério Público do Rio de Janeiro, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Fabrício José de Queiroz, Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Rio de Janeiro, Brasil
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