10:04 19 Fevereiro 2020
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    O Exército Brasileiro, através do 6º Batalhão de Engenharia de Construção, participou de uma ação para perfuração e instalação de poços artesianos nas comunidades ameríndias do Alto Takutu-Alto Essequibo, na Guiana, região que faz fronteira com a região Norte do Brasil.

    A operação é fruto de um acordo bilateral com o governo da Guiana e mobilizou 48 militares, 22 viaturas e oito equipamentos de engenharia, além de um servidor civil.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, o major Jefferson Fidélis, comandante do Destacamento Guiana, conta como funcionou a perfuração durante a cooperação técnica entre os países.

    "Na cooperação técnica foi utilizado o equipamento conhecido como resistivímetro que permite realizar um estudo preliminar até a profundidade de 200 metros para verificar a possibilidade de existência de água", explica.

    Essa mesma tecnologia é usada pelos Batalhões de Engenharia de Construção, sob a coordenação do 1º Grupamento de Engenharia, em ações para a perfuração de poços em regiões áridas da região Nordeste do Brasil.

    O militar destaca que a ação na Guiana beneficiará os moradores da região que são afetados pelos efeitos da seca.

    "A Região 9 da Guiana é constantemente afetada por períodos severos de secas que trazem destruição das lavouras, dos pastos e consequentemente do gado, que por sua vez traz a fome e a morte de pessoas, em sua maioria índios", conta.

    Além da perfuração dos poços, os militares brasileiros também realizaram uma capacitação de membros do Exército da Guiana. O comandante do Destacamento Guiana conta que foram mais de 300 horas de capacitação para os 23 militares e nove civis dos órgãos governamentais responsáveis pela distribuição de água na Guiana.

    "Foram ministradas instruções de solos e rochas; operação e manutenção de perfuratriz; insumos, manutenção e operação de poços artesianos; segurança no trabalho; prática de perfuração e ao final uma avaliação do aprendizado. Ao todo a capacitação teve 384 horas de aulas teóricas, práticas e avaliação, que permitiram concluir a cooperação com a certeza do pleno êxito", ressalta o militar que elogiou a forma como foram recebidos os brasileiros pela população local: "Todos foram recebidos e tratados com muita educação, respeito e carinho. É notório o respeito e apreço que a população guianense possui pelo Brasil", finaliza.

    A ação também capacitou 16 moradores para a manutenção dos poços. Ao todo, foram construídas oito unidades, com profundidade entre 80 e 120 metros, utilizando placas solares e bombas submersas alimentadas por energia solar, que vão atender cerca de 5.500 pessoas de oito comunidades indígenas.

    Militares do Exército Brasileiro no desfile do Dia da Independência, em Brasília
    Marcos Corrêa/PR / http://fotospublicas.com/michel-temer-assistiu-na-esplanada-dos-ministerios-parada-civica-de-celebracao-feriado-da-independencia/
    Essa operação é fruto de um Ajuste Complementar, realizado em 21 de dezembro de 2017, do Acordo Básico de Cooperação Técnica entre os governos dos dois países para a execução do projeto "tecnologias para combate aos efeitos da seca na Região 9 da Guiana".

    A ação é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores e executado pelo Ministério da Defesa, através do Exército Brasileiro.

    A cooperação Brasil-Guiana durou 60 dias, entre 1º de outubro e 1º de dezembro nas comunidades Churikdnau, Bashaidrum, Achawib, Karaudarnau, Aishalton, Awarewanau, Maruranau e Shea, na Região 9 da Guiana.

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    Tags:
    povos indígenas, cooperação entre países, exército brasileiro, Jefferson Fidélis, Guiana, Brasil
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