12:17 12 Dezembro 2018
Ouvir Rádio
    O presidente eleito Jair Bolsonaro chega ao Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília

    Bolsonaro fala de cheque suspeito de R$ 24 mil para mulher: assessor 'tinha dívida comigo'

    Fotos Públicas / Marcelo Camargo / Agência Brasil
    Brasil
    URL curta
    14212

    No dia em que cancelou a agenda por "razões médicas" e viu o seu ministro-chefe da Casa Civil ficar nervoso, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) resolveu falar sobre a polêmica em torno de um cheque de R$ 24 mil recebido pela mulher, Michelle Bolsonaro, cujo repasse é investigado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

    Em entrevista ao site O Antagonista, Bolsonaro afirmou que o ex-policial militar Fabrício José de Queiroz – motorista do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente eleito – realizou o repasse para uma conta de Michelle em razão de uma dívida contraída junto ao ex-capitão do Exército Brasileiro.

    "Emprestei dinheiro para ele em outras oportunidades. Nessa última agora, ele estava com um problema financeiro e uma dívida que ele tinha comigo se acumulou. Não foram R$ 24 mil, foram R$ 40 mil. Se o Coaf quiser retroagir um pouquinho mais, vai chegar nos R$ 40 mil", declarou Bolsonaro ao site.

    De acordo com Bolsonaro, Queiroz fez 10 cheques de R$ 4 mil para o pagamento da mencionada dívida. Contudo, o Coaf investiga operações suspeitas de R$ 1,2 milhão envolvendo o nome do ex-PM, conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo na última quinta-feira, e apontou um cheque compensado de R$ 24 mil para a futura primeira-dama.

    Sem se pronunciar sobre o caso até então, o presidente eleito também procurou explicar o motivo de ter indicado a conta da mulher para receber a dívida que o assessor do filho teria com ele.

    "Eu podia ter botado na minha conta. Foi para a conta da minha esposa, porque eu não tenho tempo de sair. Essa é a história, nada além disso. Não quero esconder nada, não é nossa intenção", acrescentou Bolsonaro, que explicou que Queiroz é seu amigo desde 1984, quando se conheceram na Brigada Paraquedista do Exército.

    Até que o ex-PM se explique sobre as movimentações incompatíveis, Bolsonaro garantiu ter cortado relações com ele. Anteriormente, Flávio Bolsonaro também afirmou desconhecer as operações suspeitas envolvendo o seu agora ex-motorista.

    Mais cedo nesta sexta-feira, o futuro ministro-chefe da Casa Civil de Bolsonaro, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), demonstrou irritação ao ser perguntado sobre o caso em uma coletiva de imprensa em São Paulo, onde participou de um encontro com empresários do LIDE, grupo que pertence à família do governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB).

    "A gente precisa saber separar o joio do trigo. Neste governo é trigo, não dá para achar que esse governo vai ser igual ao do PT. Não é e nunca vai ser. A turma do mal está do lado de lá. O problema é que a aliança ideológica que se construiu no Brasil faz com que vocês queiram misturar um governo decente, que está apenas no seu alvorecer, com a lambança que o PT fez por 14 anos. O presidente [Bolsonaro] é um homem que não teme a verdade assim como eu não temo a verdade. A pergunta é onde que estava o cofre do mensalão", declarou.

    Perguntado sobre a origem do dinheiro mencionado pelo Coaf, o parlamentar perdeu a paciência e devolveu com uma outra pergunta.

    "Quanto o senhor recebeu esse mês? Essa pergunta não tem a menor relevância", completou, antes de abandonar a entrevista.

    Em outro evento, o ex-juiz federal Sérgio Moro - futuro ministro da Justiça de Bolsonaro - evitou a imprensa para não opinar sobre o caso.

    A promessa de acabar com a velha política do "toma lá, dá cá", com distribuição de ministérios e cargos em troca de votos, foi uma das plataformas defendidas com veemência por Bolsonaro. Entretanto, antes mesmo de assumir o presidente eleito já está sob pressão, a começar pela própria investigação contra Lorenzoni por uso de caixa 2 – irregularidade que o próprio já confessou em vídeo – que corre no Supremo Tribunal Federal (STF).

    Por ora, Bolsonaro prometeu usar a sua caneta para demitir qualquer pessoa do seu governo que tenha provas robustas contra si.

    Mais:

    Bolsonaro vai moderar suas posições de política internacional?
    Peça ao Trump!: Bolsonaro ganha 'missão' para colocar o Brasil na OCDE
    Bolsonaro agravará conflito se mudar embaixada para Jerusalém, diz embaixador palestino
    Tags:
    política, Operação Lava Jato, corrupção, Caixa 2, LIDE, STF, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Sérgio Moro, Onyx Lorenzoni, Michelle Bolsonaro, Fabrício José de Queiroz, Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik