06:24 12 Dezembro 2018
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    Entre o lucro e o fundamentalismo: Brasil rumo à regulamentação dos jogos?

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    Foi realizado nos dias 3 e 4 de dezembro o OGS Brazil (Online Gamming Summit Brazil), evento que reuniu diversas autoridades para discutir a regulamentação do setor de jogos no país. O deputado federal Evandro Roman conversou com a Sputnik Brasil sobre o impacto que a liberação dos jogos pode causar no Brasil.

    Com a renovação das bancadas do Congresso Nacional, a expectativa é que o tema da regulamentação do setor de jogos volte às pautas da Câmara dos Deputados e do Senado. 

    O deputado federal Evandro Roman, da Frente Parlamentar da Liberação de jogos no Brasil, em entrevista à Sputnik Brasil, afirmou que o faturamento atual dos jogos legais gira em torno de R$ 14 bilhões contra cerca de R$ 20 bilhões dos jogos ilegais. De acordo com ele, a liberação dos jogos poderia gerar uma arrecadação de R$ 17 bilhões em impostos. 

    "Ainda falando em valores, o potencial do mercado de jogos no Brasil corresponde a 1% do PIB, ou seja, R$ 59 bilhões de faturamento bruto. Legalizar seria um aliado para impedir as práticas de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e evasão de receitas, situação muito recorrente no mercado ilegal", afirmou o deputado. 

    Ao comentar as perspectivas para a regulamentação dos jogos no Brasil, Evandro Roman observou que as bancadas fundamentalistas são o maior entrave para o avanço da pauta.  

    "O principal desafio hoje é convencer o Congresso Nacional, principalmente algumas bancadas fundamentalistas que veem o jogo como uma situação satanizada. Só que o jogo vai existir de forma regular ou não regular", disse. 

    Segundo ele, "o que o governo tem que fazer é regularizar pra que isso traga dividendos para serem destinados à segurança publica, educação, esporte, saúde, cultura, turismo".

    Já Rui Magalhães, diretor de Negócios, Tecnologia e operações do grupo da Estoril Sol Digital, pertencente ao grupo de cassinos de mesmo nome em Portugal, em sua intervenção na OGS Brazil, trouxe o exemplo de seu país na regulamentação dos jogos. 

    “Os jogos em Portugal são vistos como forma de estimular a cidadania e isso é o principal. Um cassino tem cultura, restaurantes e entretêm. São as leis que trazem isso, assim como além das leis, as empresas têm regras internas sérias como um cuidado adicional. Em Portugal a tecnologia também serve a favor da fiscalização e do uso do jogo como uma ferramenta saudável e não satanizada”, afirmou Magalhães durante o evento.  

    O deputado Evandro Roman corroborou com o exemplo de Portugal, afirmando que a arrecadação é a principal vantagem da regulamentação dos jogos.  

    "A principal vantagem é a arrecadação. Veja, Portugal, por exemplo, tem 13 cassinos e 10,5 milhões de habitantes com arrecadação imensa. Imagina o potencial do meu estado, o Paraná, com 11,5 milhões de habitantes com cidades polos com Curitiba, Maringá, Cascavel, Guarapuava, Londrina, Foz do Iguaçu?", comparou Roman.

    Além disso, ele citou a geração de empregos como outro efeito positivo da legalização dos jogos de azar.

    "Hoje, o desemprego no Brasil alcança índices elevados. Temos 10% da população ativa sem ocupação e em busca de uma nova recolocação. Com a legalização dos jogos de azar, estima-se que seriam criados 400 mil novos postos de trabalho, fato que faria com que o país retomasse a atividade econômica. Somente como exemplo, nos EUA, para cada uma vaga de trabalho aberta pelo jogo, é criado 1,9 emprego indireto", completou. 

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    Tags:
    apostas, fundamentalismo, jogos de azar, cassinos, impostos, arrecadação, Brasil
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