23:21 17 Novembro 2018
Ouvir Rádio
    Jair Bolsonaro coloca seu voto no segundo turno das presidenciais no Brasil, em 28 de outubro de 2018

    Bolsonaro terá governabilidade?

    © REUTERS / Ricardo Moraes/Pool
    Brasil
    URL curta
    1040

    Vencedor da eleição presidencial em segundo turno, Jair Bolsonaro encontra um país em grave crise econômica e dividido após uma campanha eleitoral polarizada e violenta. A Sputnik Brasil conversou com o cientista político Alberto Carlos Almeida sobre as condições de governabilidade do novo presidente.

    Com o radicalismo que marcou as eleições deste ano, o período entre o segundo turno e a posse promete ser muito mais que apenas um período de transição.

    O diretor do Instituto Brasilis, cientista político e sociólogo Alberto Carlos Almeida, em entrevista à Sputnik Brasil, observou que a sociedade brasileira estão se caminhando para um cenário de uma divisão maior. 

    "As eleições no Brasil ficaram mais estreitas. Nós temos a eleição passada que em 2014 foi aquela com a menor margem, essa é a segunda menor margem. Talvez isso venha a ser o nosso normal. Então temos uma sociedade mais dividida com eleições mais equilibradas, a não ser em momentos muito específicos", declarou. 

    "No início, o presidente 'pode tudo', se ele souber que caminho que ele quer trilhar, que proposições que ele gostaria de apresentar, o custo de negociação é menor, o Congresso é disposta, existe uma 'lua de mel'. Mas depois de algum tempo, esse tempo é incerto, essa lua de mel vai embora, e as negociações se tornam mais complicadas", observou. 

    Segundo ele, é importante observar a partir de hoje os seus planos de Bolsonaro para a escolha dos ministérios. 

    "Tradicionalmente, no Brasil, o ministério tem que guardar certa proporcionalidade de força dos partidos no parlamento. Então se um partido tem 10% das cadeiras, em geral ele tem que ter 10% dos ministérios, ou pelo menos dos recursos discricionários na alçada do Poder Executivo. Se isso não for feito, ele já criou um problema pra si próprio, que foi a promessa de redução de ministérios. Então a diminuição de ministérios dificulta a sua negociação com o Congresso Nacional", argumentou o especialista. 

    Alberto Carlos Almeida acrescentou que se o Bolsonaro conferir muitos ministérios a militares, ele diminui novamente a sua margem de negociação com a Câmara e o Senado. 

    "Os presidentes que menos respeitaram essa regra de estabilidade ao governo foram Collor e Dilma, e os que mais respeitaram foram Fernando Henrique e Lula", concluiu.  

    Mais:

    'Eu quero governar para todos', diz Bolsonaro no Jornal Nacional
    Em entrevista, Bolsonaro diz que indicará Moro para o STF ou Ministério da Justiça
    Bolsonaro agradece mensagem de Putin
    Primeiros nomes da equipe de transição de Bolsonaro serão divulgados na quarta-feira
    Tags:
    governabilidade, Congresso, governo, Jair Bolsonaro, Brasil
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik