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    Por que multinacionais europeias estão de olho no sol e no vento no Brasil?

    Marcos Santos/USP Imagens
    Brasil
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    Grandes petroleiras europeias anunciaram que planejam investir na geração de energia renovável no Brasil, a partir dos ventos e do sol. Multinacionais como Royal Dutch Schell, Total e Equinor participam do grupo.

    Sobre esse assunto, a Sputnik Brasil conversou com dois especialistas, que deram sua opinião sobre o que o país poderia ganhar com essa parceria com gigantes internacionais do setor energético. 

    Para o engenheiro Eduardo Serra, membro do Comitê de Energia da Academia Nacional de Engenharia, o interesse dessas empresas é extremamente positivo para a expansão do mercado nacional:

    "Isso é bastante interessante para impulsionar a geração de energia por fontes renováveis no Brasil, muito embora o país seja majoritariamente renovável na geração de energia elétrica", ressalta ele, em entrevista à Sputnik Brasil.

    A opinião é compartilhada também pelo presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, que destaca a valorização das fontes de energia renovável como ativo econômico.

    "[O investimento] É um sinal de que as fontes de energia renováveis estão se tornando cada vez mais competitivas e passam, agora, a serem vistas como uma oportunidade de negócio, como um ativo, como um novo caminho para o desenvolvimento da energia elétrica no mundo e no Brasil", afirma Sauaia, lembrando que esse movimento também é observado no mercado nacional.

    A ampliação do investimento em energia limpa acontece em um momento em que empresários se mostram temerosos com a possibilidade de encolhimento das empresas de petróleo, com o crescente movimento em prol dos meios renováveis para combater as mudanças climáticas. A mudança da economia mundial para uma de baixo carbono, na avaliação de Sauaia, "é um processo em andamento e que deve se acelerar ao longo do século XXI".

    Eduardo Serra credita o investimento dessas petroleiras no Brasil a dois fatores: o mercado e as características geológicas do país.

    "O mercado brasileiro é de 200 milhões de habitantes. É um país com um enorme potencial de crescimento. Além disso, nós temos condições propícias para a implementação dessas tecnologias. Nós temos um nível de radiação solar bastante elevado, que permite termos um grande número de horas de geração por dia. Sob o ponto de vista eólico, nós temos regiões com ventos contínuos, que permitem um fator de capacidade de geração bastante elevado com operação plena", ressalta o representante da Academia Nacional de Engenharia.

    "O potencial solar fotovoltaico é maior que a somatória do potencial de todas as demais fontes renováveis e não renováveis do Brasil. Segundo levantamento da Empresa de Pesquisa Energética, isso representa cerca de 28.500 mil GWe, o equivalente a 170 vezes a totalidade da matriz elétrica brasileira", enfatiza Sauaia.

    De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética, a participação das usinas eólicas e fotovoltaicas centralizadas deve corresponder a, aproximadamente, 18% da potência instalada do sistema em 2026. Na avaliação de Sauaia, a diversificação da matriz elétrica brasileira pode ajudar a combater o aquecimento global. Ele ressalta que com as mudanças climáticas, o Brasil poderá ter efeitos diretos em um dos principais motores da economia nacional.

    "Se a temperatura do planeta aumentar muito, o Brasil, que tem no agronegócio um fator chave para a sua economia e desenvolvimento, será um dos países mais impactados no mundo. Então, temos todo o interesse, como nação, em evitar que isso aconteça", afirma o especialista.

    Apesar de mais de 85% da energia consumida no Brasil ser de fonte renovável, ela ainda está concentrada na fonte hidrelétrica, como ressaltou Eduardo Serra. Isso a torna muito dependente das variações climáticas, como falta de chuvas, que geram um impacto direto no preço da energia elétrica. Na avaliação de Sauaia, o crescimento de outras fontes de energia renováveis pode dar mais segurança à matriz elétrica brasileira.

    "Diversificando a nossa matriz elétrica, fazendo uso das hidrelétricas que a gente já tem, mas também complementando essa geração com novas fontes renováveis, a gente consegue com isso reduzir essa pressão sobre recursos hídricos e aliviar o impacto negativo que pode ter essa mudança climática para que a gente tenha mais segurança energética, reduzindo o risco de apagão e de falta de energia elétrica", ressalta Sauaia. 

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    Tags:
    matriz energética, eletricidade, vento, Sol, energia, Rodrigo Sauaia, Eduardo Serra, Brasil
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