04:54 19 Setembro 2018
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    Prototipo etanol

    Pesquisador: Brasil tem potencial para liderar setor de produção de energia sustentável

    Associated Press
    Brasil
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    Um dos pioneiros na produção de energia à partir de biomassa - materiais orgânicos renováveis de origem vegetal e animal - o Brasil sediou entre os dias 5 e 6, o 3º Congresso Internacional de Biomassa (Cibio 2018). A Sputnik conversou com o pesquisador da Embrapa, José Dílcio Rocha para entender a importância estratégica do tema para o país.

    Pesquisador do Grupo de Inteligência Territorial e Estratégica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Rocha foi um dos palestrantes do evento e aponta a grande dependência do mundo quanto a combustíveis fósseis: notoriamente o petróleo, o gás natural e o carvão mineral, que além de sujeitos a variações de preços, também sofrem impactos de ordem política, já que as maiores reservas do mundo se concentram em países árabes instáveis.

    O especialista cita, portanto, grande vantagem competitiva do Brasil ao investir no potencial energético do etanol, do biogás e do biodiesel, por exemplo, por serem "neutros na emissão de carbono e preservarem a qualidade do clima".

    "As convenções climáticas anuais têm sinalizado que o uso gradativo de biocombustível ajuda a minimizar problemas que impactam de forma prática a vida das pessoas, como a diminuição de produtividade da agricultura, das ondas de calor, tsunami, erupções vulcânicas, terremotos, etc. Tudo isso pode ser minimizado se a população mundial passar a usar mais biocombustível", avalia José Dílcio.

    "O Brasil é um grande produtor agrícola, tem um programa de etanol combustível desde os anos de 1970, o de biodiesel desde 2004 e agora estamos com novos programas de biogás, de geração de bioeletrecidade à partir da biomassa de florestas… Ou seja, temos todas as condições para ampliar o uso de energias renováveis e ainda exportar, ajudando outros países a atingirem as metas climáticas [previstas no Acordo de Paris].

    Porém, para o pesquisador, o investimento na área ainda é o grande gargalo para a produção em quantidade de bioenergia no país. Dílcio diz que produtores-chave do setor, tanto no Brasil quanto no exterior, aguardam a definição do cenário político antes de voltarem a apostar no potencial brasileiro.

    "A instabilidade política tem desviado muita atenção dos investidores. Eles esperam que passe as eleições, definir o quadro político do ano que vem para fazer novos investimentos. Não é por falta de tecnologia nem de matéria-prima, tá faltando apenas os  setores privado e público fazerem parcerias para impulsionar o setor na medida que precisamos".

    Tags:
    Acordo de Paris, 3º Congresso Internacional de Biomassa (Cibio 2018), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), José Dílcio Rocha, Paraná, Brasil
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