17:02 09 Dezembro 2018
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    Museu Nacional, Rio de Janeiro, 02 de setembro de 2018

    Atos são convocados para protestar contra incêndio do Museu Nacional

    © REUTERS / Ricardo Moraes
    Brasil
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    Incêndio devora Museu Nacional do Brasil (16)
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    Segundo relatos, Museu Nacional tinha acabado de inciar treinamento de brigadas de incêndio semanas antes da tragédia.

    A revolta e o desnorteamento da população brasileira ainda são grandes com a notícia da possível perda quase total do acervo do Museu Nacional. Para muitos, o incidente reflete o descaso com que a ciência vem sendo tratada no Brasil. Por isso, grupos de estudantes já estão convocando para esta segunda-feira (3) atos para protestar contra o ocorrido, bem como para chamar a atenção para a forma com que governo vem tratando a ciência.

    O doutorando em Botânica no Museu Nacional do Rio de Janeiro e representante dos alunos de sua área, Igor Kessous, comentou o incêndio que se alastrou pela ala de exposições e pela parte de trás do palácio, "onde existiam diversos laboratórios de pesquisa".

    "Quando se descreve uma espécie para a ciência, você tem um indivíduo que foi coletado na natureza e foi colocado no acervo. Aquele indivíduo é a cara da espécie. Ali existiam diversas espécies. Milhares. Imensuráveis. De insetos, de aranhas, que ficavam naquele palácio. Provavelmente isso se perdeu. São anos. Ali existiam coletas do século 19. São 200 anos perdidos mesmo", lamentou Igor.

    Diversos atos estão sendo convocados pelo Facebook para protestar contra o ocorrido, bem como contra a situação nas áreas de ciência, educação e cultura. Igor é organizador de um dos eventos com maior mobilização até o momento.

    "A pauta principal é o descaso com a ciência. Porque o museu não tem mais como recuperar. Podem até restruturar o museu posteriormente, o que acho muito difícil. Mas o que foi perdido ali nunca vai ser recuperado. Vejo esse evento como o principal marco do descaso com a ciência no Brasil", explicou ele.

    "A direitoria vinha pedindo dinheiro ao BNDES ao longo de anos. E o dinheiro tinha sido liberado, só que não saía, para reformar [o museu]. Nesses últimos meses, o diretor tinha implantado cursos de brigada de incêndio. É uma coincidência muito triste."

    "Todas as pessoas que conheço da comunidade do museu — técnicos, professores, alunos — quando você fala com a pessoa, a pessoa está aos prantos em casa. Porque aquilo ali é nossa história. É história do mundo. Não é só história do Rio de Janeiro ou do Brasil. Ali tem coisas do mundo inteiro. Tem múmia do Egito. Estava na exposição e o telhado caiu", concluiu o interlocutor da Sputnik Brasil.

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