21:27 20 Setembro 2018
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    Como o cigarro causa bilhões de reais em prejuízo ao Brasil?

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    Nesta quarta-feira (29) comemora-se no Brasil o Dia Nacional de Combate ao Fumo. O tabagismo traz prejuízos bilionários ao país devido ao seu impacto na saúde dos cidadãos. A Sputnik Brasil ouviu o médico pneumologista, Alexandre Milagres, que explicou os malefícios o uso do tabaco e o que pode ser feito para combater o consumo do cigarro.

    O Dia Nacional de Combate ao Fumo foi criado no Brasil pela Lei nº 7.488/86, para que o governo promova durante uma semana por ano "uma campanha de âmbito nacional, visando a alertar a população para os malefícios advindos com o uso do fumo".

    Segundo o estudo "Tabagismo no Brasil: Morte, Doença e Política de Preços e Esforços", do Ministério da Saúde, o país tem um prejuízo anual de R$ 56,9 bilhões com o tabagismo.

    Parte desse montante é de gastos com despesas médicas, R$ 39,4 bilhões e outros R$ 17,5 bilhões com problemas como morte prematura e incapacitação de trabalhadores, impactando a produtividade. O estudo foi feito com base em dados de 2015. Além do prejuízo financeiro, segundo o estudo, 428 pessoas morrem por dia em consequência do tabagismo, 12,6% das mortes no país em um ano.

    Para comentar o tema, a Sputnik Brasil entrevistou Alexandre Milagres, pneumologista da Fundação Ataulpho de Paiva e militante da causa antitabagista.

    Milagres participou ativamente do lobby da criação do Dia Nacional de Combate ao Fumoa, à época do presidente José Sarney. A criação da data pôs o Brasil à frente da Organização Mundial da Saúde (OMS), que em 1989, três anos depois, instituiria uma data parecida em âmbito mundial, o 31 de maio.

    "O Brasil está ranqueado como uma das experiências de controle do tabaco mais exitosas do planeta. A gente tem um índice de redução de prevalência do fumo no país que nenhum país alcançou. A gente passou de 36% a 32% [de fumantes] da população e hoje estamos em torno de 10%. Ninguém conseguiu alcançar esse resultado fantástico", enfatiza o pneumologista.

    Ele alerta, no entanto, que recentemente o consumo de tabaco aumentou ligeiramente e aponta que o principal grupo nesse aumento foi o de mulheres.

    "O que nós estamos observando agora é um ligeiro aumento desse consumo, notadamente entre os jovens, adolescentes do sexo feminino. As meninas, me parece, ainda estão precisando de um reforço de conscientização dos riscos do tabaco", aponta.

    O tabagismo é responsável por cerca de 6 milhões de mortes anuais no mundo inteiro, que tem 1 bilhão de fumantes. Segundo Milagres, esse número chega a quase 2,2 bilhões de fumantes passivos, ou seja, pessoas expostas à fumaça do cigarro. Esse tipo de fumante, segundo a OMS, figura como 10% das mortes mundiais em decorrência do tabagismo.

    Apesar da queda mundial no consumo de tabaco, Alexandre Milagres afirma que novos artifícios estão em voga mundo afora para incentivar o uso do tabaco, como é o caso do cigarro eletrônico e seus semelhantes. Ele afirma que no Brasil esse tipo de produto ainda não é permitido, mas que há pressão para a liberação.

    Porém, ele alerta que há um aumento do consumo de Narguilés no país. Seja em rodas de amigos, seja em bares e comércios voltados ao produto. Segundo o médico, esse produto é tão perigoso quando o tabaco e gera um consumo maior de substâncias tóxicas.

    "Uma sessão inteira de uso de Narguilé equivale a você fumar 100 cigarros. Então o consumo de cigarro via Narguilé, o consumo das substâncias tóxicas é extremamente perigoso", informa o pneumologista.

    Além de ações governamentais já existentes, o médico aponta que há no Congresso Nacional projetos que podem garantir ainda mais impacto na diminuição do consumo de tabaco.

    "A gente busca que os maços de cigarro não tenham mais uma cara vermelhinha, azulzinha, aquela marca da empresa, que seja um maço neutro, o que já está sendo adotado em diversos países, como França, Reino Unido, Austrália e agora o Uruguai, o primeiro da América Latina", aponta.

    Além disso, Milagres defende o Projeto de Lei Complementar 4/2015 para criar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre "a fabricação ou a importação de tabaco e seus derivados" para financiar iniciativas de tratamento e prevenção de doenças causadas pelo tabaco.

    Ele cita também o Projeto de Lei nº 769/2015, que tramita no Senado que, de uma vez só, padronizaria os maços, proibiria a propaganda de cigarros nos pontos de venda e também proibiria o consumo de cigarro em veículos com menores em seu interior, tornando o ato uma infração de trânsito.

    Apesar do lobby da indústria do cigarro, Milagres acredita que esses projetos intensificariam a campanha contra o cigarro no Brasil, impactando positivamente as contas e a saúde dos brasileiros.

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    Tags:
    saúde, cigarro, Dia Nacional de Combate ao Fumo, Organização Mundial da Saúde (OMS), Sputnik Brasil, Alexandre Milagres, Brasil
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