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Energia nuclear na América Latina: Rosatom comenta projetos no continente

© AP Photo / Felipe DanaUsina nuclear da Angra dos Reis
Usina nuclear da Angra dos Reis - Sputnik Brasil
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O desenvolvimento da energia nuclear na América Latina segue em pauta em diversos países. Com 7 usinas em operação no continente, há quem queria construir mais, e uma empresa estatal russa pode estar próxima nesses projetos. A Sputnik Brasil conversou com o presidente regional da Rosatom, Ivan Dybov, que falou sobre essas possibilidades.

Em novembro de 2017, a Eletronuclear, ao lado da Eletrobras, assinou um memorando de cooperação com a Rosatom, abrindo a possibilidade de construção de novas usinas nucleares no Brasil. O memorando pretende promover a cooperação mútua para o uso pacífico da energia nuclear e inclui termos para operação e manutenção nesse tipo de empreendimento. 

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O Brasil é um dos líderes regionais na produção de energia nuclear. O país conta com duas usinas, Angra 1 e Angra 2, que envolveram acordos com os Estados Unidos e a Alemanha. Já Angra 3, que segue em construção, ainda pode ter participação russa.

As relações entre o Brasil e a Rússia no campo de desenvolvimento da energia nuclear se dão principalmente através da Rosatom, sigla de Corporação Estatal Russa de Energia Atômica, empresa que também tem vínculos com alguns países da América Latina, como a Argentina

A Sputnik Brasil conversou com Ivan Dybov, presidente regional da empresa na América Latina, que falou sobre os projetos que a empresa tem desenvolvido no continente e as possibilidades de parcerias futuras.

'Nós temos um time muito forte e a maior parte dele é de brasileiros'

Presente desde 2015 na região, Ivan Dybov explicou que a América Latina é um mercado importante para a Rosatom. Em toda a América, há dois escritórios da empresa, sendo um no Rio de Janeiro e outro nos Estados Unidos. O escritório do Rio, comandado por Ivan, é o responsável pela administração dos negócios da estatal russa em toda a América Latina.

"Nós acreditamos que agora estamos mais próximos de nossos clientes e parceiros. Nós temos um time muito forte e a maior parte dele é de brasileiros. Por exemplo, agora a Rosatom é a maior fornecedora de isótopos no Brasil, o que é usado no tratamento de câncer, e recebemos ofertas para fornecer urânio para a INB [Indústrias Nucleares do Brasil]", afirmou Ivan em entrevista à Spuntik Brasil.

Ele também contou que a empresa abriu uma joint venture com investidores privados para construir em São Paulo um local para a produção de equipamentos de esterilização para a área médica. "Nós estamos trabalhando em conjunto com essas empresas para encontrar projetos frutíferos de cooperação. Há uma variedade de opções, já que a Rosatom tem uma oferta única que abrange todo o ciclo nuclear", afirma Ivan.

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O presidente da Rosatom também se mostrou disposto a participar de mais projetos no Brasil, incluindo dar continuidade ao projeto de Angra 3.

"Sobre Angra 3, neste momento a Eletronuclear está próxima de definir o modelo de negócio do projeto e nós estamos prontos para participar de um diálogo construtivo com os nossos parceiros brasileiros. Nós estamos preparados para participar ativamente de projetos locais", afirmou.

As obras da usina estão atualmente paradas devido a denúncias de corrupção. O projeto nuclear brasileiro teve início durante a Ditadura Militar, ainda nos anos 1970. No entanto, Angra 1 só foi entregue em 1985, e Angra 2 só começou a operar em 2000. A terceira unidade, planejada nos 1980, teve suas obras reiniciadas em 2009, mas ainda não foi entregue. Além do Brasil, apenas Argentina e México têm usinas do tipo no continente latino-americano.

‘Todo país deveria ter acesso a tecnologias nucleares pacíficas'

Além da presença no Brasil, a Rosatom tem outros projetos na América Latina, conforme conta o presidente regional. Na Bolívia, a empresa fechou contrato para a construção de um centro de pesquisa nuclear para fins de investigação científica. Já na Argentina, há um projeto de cooperação para o fornecimento de isótopos, o treinamento de especialistas, além da garantia do ciclo de combustível nuclear.

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A estatal russa também tem negociações em andamento para projetos semelhantes no Chile, no Peru, no Paraguai e também em Cuba.

Ao redor do mundo, no entanto, o desenvolvimento de energia nuclear levanta suspeitas, a depender das relações do país e seu posicionamento geopolítico. Nos anos 1980, o desenvolvimento de energia nuclear no Brasil e na Argentina chegou a ser especulado como uma corrida nuclear regional, o que mais tarde, diante de tratados, não se confirmou.

Ivan Dybov aponta que essa preocupação é menor na região da América Latina, e lembra que diversas experiências de desenvolvimento de energia nuclear já foram concretizadas.

"Vários países da América Latina, em primeiro lugar o Brasil, Argentina e México, já têm grande experiências positivas no uso [de tecnologia] nuclear para o desenvolvimento de energia. Além disso, mais países da América Latina estão usando a tecnologia na medicina e agricultura […]. Nós acreditamos que todo país deveria ter acesso a tecnologias nucleares pacíficas para o uso na área da saúde, qualidade de vida e produção de energia efetiva", afirmou Ivan.

Ele ainda ressaltou que esse tipo de tecnologia vai além da produção de energia e pode ajudar a solucionar problemas importantes do continente, como é o caso do acesso à água tratada e também de questões do setor de agricultura.

Especificamente sobre a Argentina, que já tem 3 usinas nucleares em operação, Ivan lembrou do acordo de cooperação assinado entre Rússia e Argentina. Em janeiro, após o encontro entre os presidentes dos dois países, a Rosatom chegou a ser apontada para a construção de uma possível nova usina nuclear na Argentina.

"Neste momento, a Rússia e a Argentina já assinaram um acordo intergovernamental de cooperação no uso pacífico da energia atômica. Ele [o acordo] entrou em vigor recentemente e nós vemos um grande potencial para projetos conjuntos nessa área", aponta Ivan, que acrescentou: "Estamos abertos ao diálogo com nossos parceiros argentinos e ficaremos muito felizes de poder levar a nossa expertise para avanço dos objetivos socioeconômicos da Argentina".

A Rosatom, criada ainda durante a antiga União Sovíética, tem hoje mais de 250 mil funcionários espalhados pelo mundo e é uma das líderes em desenvolvimento de tecnologia nuclear para fins pacíficos.

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