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    Os presidentes de Brasil e China, Michel Temer e Xi Jinping, durante encontro em Pequim, nesta sexta-feira, 1 de setembro de 2017

    Em meio a guerra comercial, Brasil vira alvo de taxas chinesas

    © AFP 2018 / GREG BAKER
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    Cerca de 190 países estavam isentos de taxas adicionais chinesas sobre o açúcar, no entanto, a partir da quarta-feira (1), todos os países, inclusive o Brasil, passaram a ser taxados pelos chineses. A Sputnik Brasil conversou com uma economista, que alerta que a situação ainda pode piorar no futuro com mais produtos sendo taxados.

    As taxas extras da China serão utilizadas sobre as importações de açúcar que estiverem fora das cotas de importação estipuladas pelo país. As cotas correspondem a um total de 1,94 milhão de toneladas do produto com uma tarifa de 15%. Qualquer importação maior do que essa passa pela cobrança de maiores tarifas.

    Juliana Inhasz, professora de economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), afirmou à Sputnik Brasil que a China apresentou, com a introdução dessa medida sobre o comérico de açúcar, uma dose de protecionismo.

    "É uma medida que hoje soa como uma medida protecionista. Ela acontece especificamente porque dentro do mercado chinês há um excesso de oferta de açúcar e de seus derivados, os derivados da cana. E por conta disso existe uma pressão muito grande para que o governo tome medidas para ajudar os produtores e os pequenos produtores locais. Então existe um certo quê de protecionismo nessa medida, sem dúvida", afirma.

    Essa política seria, em parte, uma forma de atender aos interesses comerciais dos pequenos produtores, que viram o produto perder valor no mercado interno, ao mesmo tempo que uma medida garantidora das metas de crescimento do país.

    "Isso está muito ligado com a tentativa da China de manter taxas de crescimento elevadas, de continuar o ritmo de crescimento muito próximo àquele que ela vinha observado no começo de 2010, 2012", afirma Inhasz.

    Para a economista da FECAP, a medida chinesa não seria, no entanto, parte de uma guerra comercial da China, apesar do cenário de tensão no comércio entre o país e os Estados Unidos.

    "Eu acho que essa medida soa muito mais como uma medida protecionista do que como uma medida que incita uma determinada guerra comercial. Mas ela coloca ainda mais pressão sobre a China nas suas medidas comerciais. Então é óbvio que ela pesa muito junto ao momento que a gente vive, onde essa guerra comercial acontece e eles de uma forma ou de outra, China e Estados Unidos, estão tentando conseguir espaços cada vez maiores nos mercados internos", ressalta Juliana Inhasz, acrescentando que a medida, no entanto, "põe lenha na fogueira" das tensões comerciais do mundo.

    Em relação ao Brasil nesse quadro tumultuoso, Juliana acredita que as relações comerciais com os dois países é de ganhos, por um lado, mas de perdas por outro, apontando que produtos como a soja, o trigo e a carne também poderiam ser taxados no futuro.

    "Nós ganhamos no sentido de que enquanto essa gueera comercial acontece e os dois países cortam relações entre si, eles vão precisar, é óbvio, comprar aquilo que eles compravam um do outro de outros parceiros comerciais. Nesse cenário o Brasil ganha um certo espaço porque ele consegue, então, possicionar o produto doméstico, o nosso produto, lá fora", diz Juliana.

    A economista acredita que apesar de haver perdas, por outro lado, a taxação fará com que o produto brasileiro chegue mais caro na outra ponta. Contudo, ela alerta que a tendência maior, ao longo do tempo, é de perdas.

    "Em um balanço entre perdas e ganhos, ao longo do tempo nós vamos muito mais perder do que ganhar, porque se a gente está falando aí de uma guerra comercial que realmente se perpetua, os preços internacionais sobem. E esse aumento dos preços internacionais acaba pressionando uma inflação, que acaba pressionando a taxa de juros externas, cada vez maiores, o que eventualmente pode comprometer a manutenção, a estabilidade da taxa de câmbio brasileira", conclui.

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