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    Brasil deveria pressionar mais Trump para devolver crianças separadas, diz especialista

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    O Ministério das Relações Exteriores divulgou um comunicado nesta quinta-feira (26) informando que dez crianças brasileiras ainda estão em abrigos nos Estados Unidos após terem sido separadas de suas famílias ao tentar entrarem ilegalmente no país.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, Ângela Tsatlogiannis, advogada especialista em direitos humanos e internacionais e professora das Faculdades Rio Branco, defende que o Brasil deveria pressionar mais o presidente Donald Trump nesse caso.

    "Temos que considerar que os Estados Unidos são os maiores violadores das convenções internacionais, mas o estado brasileiro poderia sim por meio diplomático pressionar para que essas crianças sejam devolvidas aos pais", afirmou.

    Em nota, o Itamaraty disse que nas últimas duas semanas, 39 crianças brasileiras já foram liberadas e reunidas aos pais ou responsáveis.

    "Escapa, obviamente, à competência do governo brasileiro obrigar crianças e familiares a retornarem ao Brasil. A maioria expressiva manifesta o interesse de permanecer nos Estados Unidos, ainda que, para isso, tenha de aguardar decisão das autoridades locais", escreveu o comunicado do ministério.

    Ângela Tsatlogiannis acredita que o Brasil tem evitado pressionar os Estados Unidos para não criar um conflito diplomático.

    "A gente tem que ver se é interessante para o Brasil fazer uma pressão maior, porque qualquer pressão já pode significar um início de um conflito diplomático e isso pode não ser interessante para o estado brasileiro porque de alguma maneira poderia refletir nas outras relações que o Brasil mantém com os Estados Unidos, mas uma pressão maior poderia e deveria ser feita", disse.

    O governo do presidente Donald Trump tinha até esta quinta-feira para entregar as crianças aos pais. Segundo um comunicado do governo americano, 1.820 crianças de cinco anos ou mais que tinham sido separadas de suas famílias na fronteira com o México já foram devolvidas aos seus pais, mas 711 ainda tinham sido entregues.

    O Itamaraty escreveu que os processos de retorno têm ocorrido de acordo com a lei dos Estados Unidos.

    "No caso dos poucos que optam pelo retorno voluntário, seus processos têm ocorrido segundo os protocolos estipulados pela lei americana, com o acompanhamento atento das repartições consulares, que colaboram na intermediação entre as partes envolvidas e auxiliam na juntada da documentação necessária", acrescentou.

    Ângela Tsatlogiannis explicou que a política de separar as crianças dos pais viola as convenções internacionais. "Isso pode ser encarado como um desrespeito porque além de estarem privando as crianças da companhia dos pais, com as crianças em um lugar e os pais em outro, agora eles estão afastando ainda mais essas crianças, então é você tirar das crianças a tutela dos pais e isso não é permitido pelas convenções internacionais".

    O presidente Donald Trump adotou em maio uma política de tolerância zero com as pessoas que tentam atravessar ilegalmente a fronteira dos Estados Unidos. Os adultos são presos e as crianças enviadas a abrigos.

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    Tags:
    pai, mãe, famílias separadas, fronteiras, crianças, imigrantes, Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, Donald Trump, Michel Temer, Estados Unidos, Brasil
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