07:46 17 Agosto 2018
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    Desmatamaento da Amazônia (foto de arquivo)

    Floresta Amazônica terá proteção de drones espiões

    © AP Photo / Andre Penner
    Brasil
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    O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) anunciou que está se preparando para testar veículos aéreos não tripulados para serem usados na gestão e no monitoramento de unidades de conservação ambiental a partir de 2019, especialmente na Amazônia.

    De acordo com a autarquia, atualmente, a suspeita de um acampamento de madeireiros ou garimpeiros, por exemplo, pode exigir até o fretamento de uma aeronave. "Mas sobrevoar uma área gera altos custos e ainda alerta os criminosos. Silencioso e discreto, o drone é um apoio tático ideal para operações desse tipo", motivo pelo qual ele já vem sendo utilizado em algumas áreas, mas através de iniciativas independentes, descentralizadas.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, o analista ambiental Rafael Cabral, da Coordenação de Fiscalização do ICMBio, enumerou outras vantagens que os drones podem trazer para essas operações:

    "Eles têm três vantagens que a gente identificou. Uma é a economicidade. Quer dizer, são equipamentos relativamente baratos na aquisição e na manutenção. Também na questão da capacitação dos agentes. É mais barato do que capacitar um piloto. Eu não estou fazendo uma comparação direta, porque ela nem existe na verdade, mas é mais barato. Para uma pessoa operar um equipamento é uma capacitação mais barata do que uma capacitação, por exemplo, para um piloto de helicóptero. Outra vantagem dele é a questão prática. São equipamentos que, em sua grande maioria, são portáteis, você pode levar para qualquer canto, você tem uma facilidade de colocá-los para operar. E também eles vão a locais que, muitas vezes, outras aeronaves não têm condições de ir. E a terceira [vantagem] que a gente também identificou é a questão da salvaguarda da vida humana. O nosso agente pode identificar perigo ou alguma situação mais perigosa utilizando o drone primeiramente, antes de ir para campo", explicou. 

    Segundo Cabral, até o momento, foram adquiridos três equipamentos, com os quais serão feitos os testes que serão repassados às equipes, explicando a melhor situação para cada tipo. Mas, no futuro, a expectativa é a de que sejam centenas em uso, operados tanto a partir de bases fixas como de bases móveis. 

    "E a área [de cobertura] depende muito do tipo de equipamento que você vai adquirir. Você pode ter um equipamento que vai voar alguns quilômetros como algum que vai voar uma unidade, por exemplo, da Amazônia inteira. Isso varia muito. A extensão do voo dele é basicamente uma de uma aeronave normal, dependendo do equipamento que você compra."

    De acordo com o ICMBio, os três veículos adquiridos, com recursos do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA), para a fase de testes, são dos modelos asa fixa e asa rotativa. O primeiro se assemelha a um pequeno avião e vem acompanhado de duas câmeras multifuncionais, cujos sensores o tornam ideal para atividades de mapeamento. "Já as duas unidades do asa rotativa vêm com câmera ultra HD e infravermelho, e são verdadeiros coringas: além do uso tático em operações de fiscalização, eles podem pairar sobre incêndios florestais e enviar informações em tempo real que orientem as equipes no combate ao fogo. Além disso, são úteis no cálculo do volume de madeira de desmatamento – tarefa ainda feita manualmente."

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    Tags:
    conservação, drones, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Rafael Cabral, Brasil, Amazônia
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