02:02 16 Julho 2018
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    Apresentador e jornalista José Luiz Datena

    Datena, o outsider da vez nas eleições presidenciais de 2018 no Brasil

    © Foto : Beto Barata / PR
    Brasil
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    Thiago de Araújo
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    Caciques do DEM estão tentando convencer o apresentador José Luiz Datena, da Rede Bandeirantes, a se colocar como um possível candidato à Presidência da Repúblicas nas eleições de outubro. Se aceitar, ele será a mais nova tentativa de "outsider" no pleito, após várias alternativas do gênero terem naufragado.

    Ao longo das últimas semanas, Datena tem se reunido com freqüência com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ), e com o deputado Rodrigo Garcia (SP), líder da bancada do DEM. A princípio, o foco seria ter o apresentador para o Senado, mas há outras possibilidades.

    De acordo com o UOL, um dirigente do partido informou que uma pesquisa qualitativa está sendo produzida a toque de caixa, a fim de testar o potencial presidencial do nome de Datena. Existe um senso de que o experiente jornalista da Bandeirantes poderia emular a figura de alguém de fora da política, que parece estar em alta no Brasil.

    Entretanto, vários nomes de possíveis outsiders vieram e se foram ao longo dos últimos oito meses. A correlação de Datena é feita com Luciano Huck, apresentador da Rede Globo que foi cortejado por vários partidos, foi elogiado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), mas que não aceitou a empreitada.

    Outro nome foi o do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Depois de inúmeras rodadas de negociações com o PSB, o jurista preferiu não sair candidato, o que causou frustração no próprio Datena, que sugeriu que votaria em Barbosa se o nome dele estivesse na urna em outubro.

    "Era o craque eu [eu] passaria perto de votar", afirmou o apresentador da Bandeirantes, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. "Virei órfão político", acrescentou, dizendo respeitar a desistência do ex-ministro do Supremo. "Também já desisti uma vez".

    Desta vez, porém, Datena parece estar decidido a ir até o fim com sua empreitada política. A ideia mais forte no momento é que ele seja o candidato ao Senado pelo DEM paulista, em uma aliança com o ex-prefeito João Dória – candidato ao governo de São Paulo – que colocará Rodrigo Garcia como vice do tucano.

    Pelas mais recentes pesquisas de intenção de voto em São Paulo, Datena lidera a preferência de 33% do eleitorado, em empate técnico com o ex-senador Eduardo Suplicy (PT) e à frente da senadora Marta Suplicy (MDB) e do deputado Marco Feliciano (Podemos). De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o lançamento da candidatura do apresentador pode ocorrer ainda nesta semana.

    Mas os entusiastas de ver Datena na corrida ao Palácio do Planalto correm contra o tempo, também com base em números. O nome de Rodrigo Maia, ainda o pré-candidato do DEM no pleito presidencial, ganharia até 8% em uma possível chapa puro sangue do partido, tendo o apresentador da Bandeirantes como seu vice.

    Datena promete tomar a sua decisão até o próximo sábado. "Nunca me passou pela cabeça [concorrer à Presidência da República], não tenho a pretensão. Mas o futuro a Deus pertence", declarou ao UOL, para depois dizer que "não se considera capacitado" e que é "um péssimo gestor".

    Em maio, em outra entrevista à Folha, Datena garantiu ter "senso do ridículo" ao se recusar a sair candidato à Presidência, como queria o PRP, o último partido ao qual ele foi filiado antes de entrar para o DEM. Em 2016, quando filiado ao PP, o apresentador cogitou disputar a Prefeitura de São Paulo, porém acabou desistindo da disputa.

    Para os entusiastas de uma candidatura presidencial de Datena, a ideia é sugerir um outro nome que possa servir como alternativa de centro-direita, já que Maia, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), o ex-ministro Henrique Meirelles (MDB) e os demais candidatos desse espectro político não empolgam, tendo de ver o protagonismo do deputado Jair Bolsonaro (PSL-RJ), e dos ex-ministros Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede).

    Sem falar no temor invocado pelo nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é o líder em todos os cenários em que seu nome aparece e que, de acordo com o seu partido, tentará ser presidenciável mesmo que siga preso em Curitiba na época da eleição, em outubro.

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    Tags:
    coligação, renovação, aliança, antipolítica, outsider, política, Eleições 2018, Rede Bandeirantes, PT, DEM, STF, Álvaro Dias, Jair Bolsonaro, Eduardo Suplicy, Fernando Henrique Cardoso, Joaquim Barbosa, Marina Silva, Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin, Luciano Huck, Ciro Gomes, João Doria, Rodrigo Garcia, Rodrigo Maia, José Luiz Datena, Brasil
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