16:58 23 Junho 2018
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    Movimento dos Sem Terra (MST)

    Pastoral da Terra denuncia: assassinatos no campo atingem maior pico desde o governo Lula

    Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Brasil
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    O Brasil registrou 71 assassinatos por conflitos agrários no ano passado, se consolidando como o mais violento desde 2003, primeiro ano do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apontou o mais recente relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgado nesta semana.

    De acordo com o estudo, o crescimento das mortes no campo vem seguindo uma alta já registrada em 2016, quando 61 pessoas foram vítimas de homicídios em disputas agrárias. Porém, há um componente mais grave: o aumento no número de massacres e chacinas.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, o presidente da CPT, dom André de Witte, revelou que 31 assassinatos registrados no campo no ano passado – 44% do total – ocorreram em cinco massacres. O dado poderia ser ainda pior, já que as tentativas de homicídios aumentaram 63%, assim como as ameaças de morte (13%).

    "Faz 33 anos que foi criado essa documentação e nela a gente constata tantos conflitos com tantos mortos. Há o elemento da impunidade, que poderia melhorar a situação de enfrentamento dessa violência […] a agressividade cresceu muito e explica essa realidade dramática", lamentou.

    Dos 5 massacres citados, 4 ocorreram na Amazônia, de acordo com o levantamento. Em Pau D’Arco, no Pará, 10 trabalhadores rurais foram assassinados por policiais militares e civis. Já em Colniza, em Mato Grosso, um massacre resultou na morte de 9 posseiros. Um madereiro seria o mandante dos homicídios.

    Para o presidente da CPT, a necessidade de terra para o homem e para a mulher do campo se contrapõe ao interesse de grandes latifúndios, estes ligados a grandes empresas e pessoas poderosas, gerando um concentração de terra que desemboca em conflitos armados. A impunidade em casos do gênero só agrava a situação.

    Além dos números assustadores e preocupantes, Witte ponderou que a crueldade dos assassinatos é outro aspecto que demonstra o tamanho do acirramento dos ânimos no campo. Assim, a situação agrária que é regulada apenas pelo "mundo capitalista e suas leis" pode piorar ainda mais.

    "Há muita terra em situação não regularizada. Tem muita terra pública, às vezes até ocupada por grandes latifúndios, e isso gera problemas. É nisso que acontecem os conflitos e os pequenos são os mais vulneráveis […] voltando à palavra do Papa Francisco: 'quando o lucro está no centro de tudo, o perigo para pessoa humana aumenta'", declarou.

    Os conflitos de terra no Brasil voltaram ao noticiário recentemente, quando o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu habeas corpus a um dos mandantes já condenado pelo assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang, em 2005, em Anapu, no Pará.

    A decisão judicial, segundo o presidente da CPT, só fortalece a ideia de "dupla criminalização" das vítimas, que acabam não sendo só alvo de ameaças e assassinatos, mas também de uma segunda violência quando da soltura ou não identificação dos mandantes, estes amparados por decisões judiciais nem sempre claras.

    "Falei da irmã Dorothy e também em Anapu o padre José Amaro Lopes de Sousa está preso [sucessor da missionária, acusado por associação criminosa e outros crimes]. Parece que os fazendeiros fizeram fila para acusá-lo. A Justiça concedeu habeas corpus ao mandante da morte dela, mas negou ao padre. Chama a atenção isso", opinou.

    A CPT promete manter o trabalho de acompanhamento e divulgação dos dados envolvendo conflitos agrários no país, com a expectativa de poder ajudar no enfrentamento da violência no campo. No momento, porém, os números não apontam para um cenário otimista. "O número [de assassinatos]  segue subindo. É um clima tenso que não cessa", concluiu.

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    Tags:
    homicídios, assassinatos, violência no campo, conflito agrário, reforma agrária, STF, Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Marco Aurélio Mello, Dorothy Stang, José Amaro Lopes de Sousa, Papa Francisco, André de Witte, Colniza (MT), Pau D' Arco, Pará, Amazônia, Anapu, Brasil
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