06:34 18 Junho 2018
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    Manifestação de caminhoneiros no Rio de Janeiro como parte de mobilização nacional da categoria contra os preços altos dos combustíveis no Brasil.

    Quem vai pagar a conta do diesel dos caminhoneiros?

    © Sputnik / Solon Neto
    Brasil
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    A decisão do presidente Michel Temer (MDB) de bancar com dinheiro vindo principalmente de áreas sociais o subsídio ao diesel mostra um "Governo fragilizado" e cria precedentes para que outros grupos imponham suas demandas, avalia José Mauro de Morais, coordenador de Estudos da Área de Petróleo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

    Por meio de Medida Provisória, Temer indicou que os recursos que serão utilizados para pagar o desconto no preço do diesel, que permitiu o fim da greve dos caminhoneiros, virá de áreas como o Sistema Único de Saúde (SUS), bolsas de estudo, programas de habitação, reforma agrária, entre outros. Ao todo, o cancelamento foi de R$ 3,82 bilhões, segundo o Valor Econômico.

    Morais diz que a saída de dinheiro destes setores é compreensível dentro da lógica do orçamento público:

    "De algum lugar esse dinheiro tem que vir, e não adianta pensar que um dinheiro dessa monta virá de programas de menor importância, que demandem pouco investimento. Na verdade, a gente tem que buscar dinheiro onde ele está e no caso ele está na saúde e educação. Portanto, é uma escolha de Sofia o que o Governo está fazendo", disse o também professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) à Sputnik Brasil. 

    Edifício da Petrobras
    © AFP 2018 / VANDERLEI ALMEIDA
    Morais pontua que a decisão de Temer também poderá sofrer "pressão" para um reajuste caso a cotação do dólar continuar a subir e o preço do barril de petróleo continuar a aumentar. Neste caso, diz o especialista do IPEA, "a conta ao cargo do Tesouro vai ser maior".

    O pesquisador afirma que concorda com a política de deixar o preço dos combustíveis no Brasil flutuar de acordo com o mercado internacional, mas que estas alterações não deveriam ser diárias. Ele também pontua que Temer mostrou-se fragilizado na negociação e outros grupos organizados também poderão buscar seus pleitos:

    "É um governo fragilizado, com mínima capacidade de negociação e de barganha. A falta de legitimidade que o Governo tem restringe demais a capacidade que ele tem de não transigir", disse Morais à Sputnik Brasil.

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    Petrobras, Michel Temer
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