06:04 25 Maio 2018
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    O Brasil vende aproximadamente 40% da carne de frango exigida pelo mercado mundial

    Análise: Embargo a frango brasileiro pela UE é 'pedra no sapato para obter vantagem'

    Jonas Oliveira/AENotícias
    Brasil
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    Já estão em vigor desde quarta-feira (16) as restrições de exportação de frango provenientes de 20 frigoríficos brasileiros com destino à União Europeia. O embargo foi imposto por questões sanitárias, mas conversas relativas ao pagamento de uma "taxa de liberação" do produto levaram a suspeitas de possível decisão comercial e protecionista.

    O bloco europeu alega ter encontrado dois tipos de bactéria salmonela (a Salmonella typhimurium e a Salmonella enteritidis) em carnes de frango in natura (aquelas que não passam por processamento e nem são salgadas antes de exportadas). A União, porém, admite aceitar o produto desta forma desde que os produtores e o governo brasileiro aceitem pagar uma taxa de € 1024, ou cerca de R$4400, por tonelada de frango.

    A decisão causou indignação e imediata reação da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), para quem o embargo é muito mais uma questão comercial que sanitária. A entidade classifica a suspensão como "infundada" e "uma medida protecionista que não se ampara em riscos à saúde pública". "A Europa diz que é um problema sanitário, mas se você pagar o imposto, não é sanitário", disse o vice-presidente de Mercados da ABPA, Ricardo Santin, citado pelo veículo alemão Deutsche Welle.

    A opinião é acompanhada pelo ‎vice-presidente da ‎Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Hélio Sirimarco em entrevista exclusiva concedida à Sputnik Brasil. Para o economista, a UE coloca "uma pedra no sapato para obter vantagem".

    "Existem mais de 2 mil tipos de salmonela, estamos falando de dois tipos específicos que não afetam o ser humano. Quando o frango é preparado assado ou cozido, elas desaparecem. Essa é uma informação que nos foi passada pelos veterinários", afirma.

    Sirimarco avalia que a decisão da União Europeia acontece na esteira dos desdobramentos da Operação Trapaça, terceira fase da Operação Carne Fraca que desde o ano passado aborda irregularidades com grandes produtores de carne no Brasil. Coincidência ou não, dos 20 frigoríficos embargados, 12 pertencem à BRF, uma das empresas mais atingidas com as investigações.

    Avaliando que os produtores e o governo brasileiro dificilmente concordarão com o pagamento da taxa exigida pela UE para liberação do frango, Sirimarco sugere que movimentações como esta dos europeus devem causar um efeito indigesto para Bruxelas: a aproximação do Brasil com o mercado asiático.

    "Acabamos de fechar um acordo com a Coreia do Sul para a carne suína, uma negociação que vinha há mais de 10 anos. Provavelmente este será um dos principais destinos da carne suína brasileira. Não vamos deixar de exportar para a comunidade europeia, mas o grande consumidor é a Ásia, o maior parceiro comercial do Brasil hoje é a China", diz.

    Por meio de nota enviada à Sputnik Brasil, o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), estado onde está instalada a maioria das plantas embargadas, disse que desenvolve "estudos e negociações com entidades do setor produtivo e industrial para minimizar os impactos do embargo à exportação da carne de frango brasileira pela UE".

    A organização também mencionou que "o setor avícola brasileiro atua com o compromisso de produzir de acordo com a legislação, nacional e internacional, que regula a sanidade e a qualidade dos produtos alimentícios" e que na avaliação dos sindicalistas, "o embargo pela UE é uma medida protecionista comercial e não se baseia em questões sanitárias".

    Tags:
    carne de porco, salmonela, carne bovina, frango, Operação Trapaça, Operação Carne Fraca, Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), BRF Brasil, Sputnik Brasil, Deutsche Welle, União Europeia, Hélio Sirimarco, Ásia, Bruxelas, Coreia do Sul, China, Brasil
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