10:56 16 Outubro 2018
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    Polícia Federal em operação

    Lava Jato:delator de Collor e Aécio é preso em apuração de dinheiro do tráfico na política

    Divulgação PF
    Brasil
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    Delator da Operação Lava Jato, o doleiro Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como Ceará, foi um dos oito presos nesta terça-feira em mais uma etapa da Operação Lava Jato, intitulada Efeito Dominó. Ele já havia delatado parlamentares conhecidos e estaria em uma rede que repassaria dinheiro do tráfico de drogas a políticos.

    Ceará fechou um acordo de colaboração premiada com Procuradoria-Geral da República (PGR), e que foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele trabalhava com o doleiro Alberto Youssef, e foi detido como parte de uma operação em 6 Estados e no Distrito Federal, deflagrada nas primeiras horas do dia.

    Anteriormente, Ceará havia relatado ter feito entregas de dinheiro aos senadores Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Aécio Neves (PSDB-MG), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O que ele escondeu era a sua ligação com a lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas, o que pode fazê-lo perder os benefícios de sua delação.

    De acordo com o delegado da Polícia Federal Roberto Biasoli, responsável pela operação desta terça-feira, há fortes indícios de que dinheiro em espécie, oriundo do tráfico de drogas, estaria indo parar na mão de políticos.

    "Só pelo que nós conseguimos levantar com o material apreendido, do ano de 2014 a 2017, teriam sido negociadas 27 toneladas de cocaína, isso com um lucro de aproximadamente US$ 140 milhões", afirmou Biasoli, referindo-se ao esquema comandado por Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, um dos maiores traficantes da América do Sul e que foi preso em 2017.

    Ceará e os demais presos teriam relação direta com Cabeça Branca, atuando tanto junto a políticos quanto a traficantes. Em 2014, o doleiro relatou ter levado dinheiro a Collor, Aécio, Renan e Randolfe – os três primeiros negaram o repasse, o último sequer foi investigado porque Youssef desmentiu o ex-parceiro.

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    Tags:
    doleiros, tráfico de drogas, narcotráfico, lavagem de dinheiro, corrupção, política, PGR, STF, Polícia Federal, Cabeça Branca, Luiz Carlos da Rocha, Roberto Biasoli, Alberto Youssef, Randolfe Rodrigues, Renan Calheiros, Fernando Collor de Mello, Aécio Neves, Carlos Alexandre de Souza Rocha, Ceará, Paraíba, Curitiba, Brasil
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