06:16 25 Maio 2018
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    Protesto conta a ditadura militar em 2012, no Rio de Janeiro.

    Mais do que Geisel: Brasil quer ter acesso a documentos da CIA sobre a ditadura militar

    © AP Photo / Victor R. Caivano
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    O Ministério de Relações Exteriores do Brasil promete pedir ao governo dos Estados Unidos o acesso a mais documentos produzidos pela Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) a respeito da ditadura militar (1964-1985) no país.

    A decisão, informada pelo Itamaraty, atende a uma carta enviada por Ivo Herzog, responsável pelo Instituto Vladimir Herzog – fundado em memória ao pai de Ivo, o jornalista Vladimir Herzog, morto pelos militares após ser torturado –, que por sua vez veio após a revelação de que o ditador Ernesto Geisel sabia dos assassinatos de opositores.

    De acordo com informações da Agência Brasil, o ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, instruiu que a embaixada brasileira em Washington peça a liberação completa dos registros que o governo estadunidense possua sobre o tema.

    Na carta enviada na última sexta-feira, Ivo Herzog pediu ao ministro que busque mais informações sobre o período ditatorial no Brasil, para que erros do passado não se repitam.

    "O senhor, assim como nossa família, sabe o que foi o terror e a violência promovida pela ditadura brasileira. Uma nação precisa conhecer a sua história oficialmente para ter políticas públicas que previnam que os erros do passado se repitam", comentou.

    A morte de Herzog ocorreu no período Geisel, o qual era tido como de abertura e de diminuição dos assassinatos e torturas contra opositores. Contudo, um informe de 11 de abril de 1974, assinado pelo então agente da CIA William Colby e endereçado ao secretário de Estado Henry Kissinger, indica que Geisel sabia e autorizava os assassinatos.

    O documento relata uma reunião entre Geisel, o general João Baptista Figueiredo, então diretor do Serviço Nacional de Informações (SNI) e sucessor do então presidente, e os também generais Milton Tavares de Souza, então comandante do Centro de Inteligência do Exército (CIE) e seu sucessor, Confúcio Avelino.

    À época, pelo menos 104 opositores haviam sido executados sumariamente pela ditadura, de acordo com Tavares. Até o fim da era Geisel, em 1979, quase 90 outras pessoas foram mortas, segundo o relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV). Segundo o informe da CIA, Geisel concordou com as mortes de "subversivos perigosos".

    Apesar da iniciativa do Itamaraty, o governo do presidente Michel Temer manteve o silêncio após a divulgação do documento. O ministro de Segurança Pública, Raul Jungmann, minimizou o informe, afirmando apenas que as Forças Armadas manterão o seu prestígio junto à população. Já o Exército reforçou que os documentos referentes ao período foram destruídos, algo disputado há décadas por setores da sociedade civil.

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    Tags:
    direitos humanos, assassinato, tortura, ditadura militar, Exército Brasileiro, Forças Armadas, Comissão Nacional da Verdade (CNV), Itamaraty, CIA, Milton Tavares de Souza, Confúcio Avelino, João Baptista Figueiredo, Ernesto Geisel, William Colby, Henry Kissinger, Michel Temer, Aloysio Nunes Ferreira, Raul Jungmann, Vladimir Herzog, Ivo Herzog, Estados Unidos, Brasil
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