10:47 24 Setembro 2018
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    Guilherme Boulos, coordenador do MTST, durante protesto contra o governo Michel Temer em São Paulo

    Boulos: 'Estado brasileiro funciona como se fosse um Robin Hood ao contrário' (VÍDEO)

    Roberto Parizotti/ CUT
    Brasil
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    Pré-candidato do PSOL à Presidência da República, Guilherme Boulos indicou que os mais ricos terão de financiar os investimentos aos mais pobres no Brasil, caso ele seja eleito no pleito marcado para outubro deste ano. E fez uma comparação para ilustrar isso.

    "O Estado brasileiro hoje funciona como se fosse um Robin Hood ao contrário", afirmou o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), entrevistado na noite desta segunda-feira pelo programa Roda Viva, da TV Cultura.

    Além de fazer referência ao personagem dos contos infantis que rouba dos ricos para dar aos pobres, Boulos ainda indicou algumas das suas primeiras medidas tão logo assuma o cargo, caso seja eleito. A primeira seria ouvir a população sobre o governo de Michel Temer (MDB).

    "A nossa primeira medida no dia 1º de janeiro de 2019 será um plebiscito pra ver se o povo brasileiro quer manter ou revogar as medidas de Temer", declarou, afirmando ainda que as iniciativas tomadas pelo atual governo vão na contramão do que seria necessário ao país.

    "O maior erro num momento como este é cortar investimentos. Se você corta, isso vai gerar mais desemprego, menos renda na sociedade e vai reduzir a arrecadação no ano seguinte. O ajuste gera um desajuste fiscal. É isso que vimos acontecer desde 2015 e o governo atual só aprofundou", avaliou Boulos.

    O presidenciável do PSOL apontou ainda que não vê problema em governar sem o apoio do mercado financeiro e das elites, e apontou de onde viriam os recursos para fazer a roda de crescimento voltar a girar no Brasil.

    "Para atender o que o povo mais precisa na ponta, e esse dinheiro tem que vir de quem não contribui hoje, só retiram: os grandes bancos e empresas", revelou. Boulos ainda criticou o Judiciário, um dos setores com mais privilégios na sua opinião – ele mencionou o auxílio-moradia recebido por magistrados.

    "Se você resolve alugar uma casa, você vai pagar 27% de imposto. Se você, ao invés disso, tem mais condições e monta uma imobiliária para alugar 30 casas de uma vez, você vai pagar 11%. Agora, se você monta um fundo imobiliário, você paga 1% de imposto. É injustiça tributária", disse, mencionando que uma reforma tributária também é necessária.

    A questão dos impostos, aliás, permitiu a Boulos fazer uma crítica a um fato notório: a apreensão de um helicóptero, que pertencia à família de um senador do PSDB de Minas Gerais, e que levava quilos de cocaína em seu interior.

    "Hoje, qualquer um de nós, paga IPVA. Já o helicóptero do Zezé Perrella que foi pego com 400kg de cocaína não pagou imposto. O jatinho do [apresentador da Rede Globo] Luciano Huck que foi financiado pelo BNDES não pagou um real de imposto", destacou.

    Lula

    Questionado se se considera um "herdeiro político" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso há um mês por sua condenação na Operação Lava Jato, Boulos garantiu não se incomodar com isso, e reforçou a sua defesa do ex-presidente, que estaria preso sem provas, fruto de uma perseguição política.

    "Não me incomoda ser chamado de herdeiro do Lula porque acontece na medida em que Lula construiu sua história vindo de baixo. Mas acho que herdeiro só se fala de morto. Lula está vivo e é candidato à Presidência da República", comentou.

    Falando de política, ele defendeu que a sua proximidade com o PSOL não é de hoje, e que é sim possível governar com propostas ousadas. "Política, para mim, não é carreira. É desafio e ousar. Só faz sentido ser candidato à Presidência se for para vir aqui, falar o que eu acredito e defender o povo brasileiro", ponderou.

    Sobrou tempo ainda para criticar o capitalismo e exaltar benefícios do socialismo.

    "Da mesma forma que todas as experiências do socialismo tiveram seus limites, e nós temos que ter senso crítico pra lembrar isso aqui. Todas as experiências capitalistas no mundo tem seus limites, que é uma desigualdade brutal. O capitalismo é como se fosse uma corrida de 100 metros e algumas pessoas saem 50 metros na frente", opinou.

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    Tags:
    reforma tributária, pobres, ricos, Robin Hood, capitalismo, socialismo, política, Eleições 2018, PSOL, TV Cultura, Roda Viva, Zezé Perrella, Michel Temer, Luiz Inácio Lula da Silva, Guilherme Boulos, Brasil
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