01:05 13 Novembro 2018
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    Lula durante ato em defesa da soberania nacional no Rio de Janeiro.

    'Lula até o fim': Especialistas sugerem qual será a estratégia do PT após decisão do STF

    © Foto : Ricardo Stuckert/Fotos Públicas
    Brasil
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    Luta pelo habeas corpus de Lula (24)
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    Com a decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal de negar o pedido de Habeas Corpus preventivo para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o futuro eleitoral do país tornou-se incerto. Esta avaliação é de cientistas políticos ouvidos pela Sputnik diante da possibilidade de Lula não poder disputar o pleito presidencial de 2018.

    Dos 11 ministros que participaram da sessão plenária da quarta-feira, 4 de abril, 5 votaram a favor das pretensões de Lula e 6 foram contrários. O voto decisivo, em razão do empate em 5 a 5, coube à presidente do STF, ministra Cármen Lúcia. Ela já vinha sinalizando que votaria contra as pretensões de Lula de aguardar em liberdade o julgamento de seus recursos junto aos Tribunais Superiores em face de sua condenação, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a 12 anos e um mês de reclusão.

    Para o cientista político e professor da Universidade Federal de Ouro Preto, Antonio Marcelo Jackson, a decisão do STF, além de tornar mais complexo o quadro sucessório, pode ter gerado um efeito ainda mais adverso:

    "A decisão do Supremo Tribunal Federal de negar o habeas corpus preventivo para Lula pode gerar um efeito negativo, que é o de transformar Lula em mártir. Se não foram apresentadas provas cabais para os crimes pelos quais Lula foi condenado, como a propriedade um apartamento no Guarujá que nunca lhe pertenceu nem a qualquer membro de sua família, o que se pretende é impedir que Lula participe de uma disputa política-eleitoral. E aqui se cai numa outra questão: a quem beneficiaria este impedimento do candidato, que possui o maior índice, disparado, intenção de votos de disputar a eleição? Estas mesmas pesquisas não mostram crescimento ou intenções de votos significativas para nenhum outro concorrente. Tudo isso leva a que, inevitavelmente, Lula venha a ser visto como mártir por seus correligionários, adeptos e seguidores", avalia Jackson.

    Na opinião do professor, o Partido dos Trabalhadores deverá insistir na candidatura de Lula à Presidência da República, registrá-la no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e aguardar o posicionamento da Corte:

    "Se eu fosse dirigente do Partido dos Trabalhadores, manteria a candidatura de Lula até o fim e, enquanto o TSE não se manifestasse em contrário, eu sustentaria o Lula como candidato natural do PT (…). Se Lula não pode ser candidato, quem vai concorrer pelo Partido dos Trabalhadores será esta determinada pessoa que terá apoio integral de Lula e do PT", sugeriu.

    E as eleições?

    Diretor do Instituto Brasilis, Alberto Carlos Almeida especializado em consultoria política, o quadro sucessório presidencial ganhou mais complexidade:

    “O Brasil vive hoje uma situação conflagrada. Às vésperas do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal que negou o Habeas Corpus para Lula, nós vimos dois dias de intensas manifestações em todo país, tanto favoráveis quanto contrárias ao ex-presidente Lula. A situação política do Brasil é conflituosa e muito grave".

    O fato de os concorrentes de Lula estarem bem afastados do ex-presidente em todas as pesquisas de intenção de votos até aqui divulgadas aumenta a incógnita sobre o quadro sucessório:

    "Tudo isso gera nos seguidores e adeptos de Lula um sentimento de injustiça. Esse é o cerne do quadro político atual: Lula prestes a ser preso, líder nas pesquisas de intenção de votos para a Presidência da República, Lula não tem adversários na corrida eleitoral – pelo menos concorrente que se aproxime dos seus índices – e ainda assim, estará fora do pleito e, provavelmente, privado de liberdade”

    Embora considere o quadro político atual muito complexo, Almeida arrisca um prognóstico para um possível segundo turno da eleição presidencial. Para o cientista político, os dois candidatos que chegarão à disputa final serão o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, do PSDB, e o nome indicado pelo Partido dos Trabalhadores pára substituir Lula, esteja o ex-presidente livre ou solto.  

    Tema:
    Luta pelo habeas corpus de Lula (24)
    Tags:
    Presidência da República, Instituto Brasilis, PT, Tribunal Superior Eleitoral, Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF), Universidade Federal de Ouro Preto, Supremo Tribunal Federal (STF), Alberto Carlos Almeida, Luiz Inácio Lula da Silva, Antonio Marcelo Jackson, Cármen Lúcia, Guarujá, Rússia
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