14:16 19 Outubro 2018
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    Temer se reúne com núcleo institucional para tratar da crise prisional do país

    Lula reconheceu que fui vítima de uma tentativa de golpe, diz Temer a jornal chileno

    Beto Barata/PR
    Brasil
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    O presidente Michel Temer (MDB) afirmou ao jornal chileno La Tercera, em entrevista publicada neste sábado, que foi vítima de uma "montagem" para que fosse retirado do cargo, e que até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconheceu isso.

    "O que havia eram denúncias inconsistentes. Foi verificada uma grande montagem contra a Presidência da República e a maioria dos deputados viu isso. A administração do ex-Procurador-Geral da República [Rodrigo Janot], que arquivou as queixas, foi encerrada com a anulação sumária das acusações usadas para tentar comprometer, em troca da imunidade total aos criminosos que estão agora presos, o mandato presidencial. Hoje, sabemos que a falsa ‘evidência’ foi produzida contra a Constituição, com a participação ilegal de promotores, que estão atualmente sob investigação. Mesmo o ex-presidente Lula recentemente reconheceu que houve uma tentativa de golpe orquestrado contra mim, que tivemos a coragem de enfrentar e vencer", afirmou Temer.

    Sobre Lula, o presidente brasileiro afirmou ser favorável a que todos possam concorrer, porém as leis vigentes precisam ser respeitadas e, por respeitar as instituições, ele afirmou que caberá ao Judiciário dar um parecer sobre o petista.

    "Defendo que todos podem ser candidatos, eu gostaria que todos pudessem exercer o direito político a ser julgado nas pesquisas pelo povo. No entanto, temos leis e às vezes isso impõe restrições e gera controvérsias. Quem entende e aplica as leis é o Poder Judiciário. Acredito que os advogados do ex-presidente Lula levarão os recursos para os tribunais superiores; então devemos esperar que os juízes se pronunciem, incluindo o Tribunal Superior Eleitoral. Como chefe do Poder Executivo, respiro a independência dos poderes e prefiro aguardar os fatos e não especular. O Brasil é maduro para enfrentar os desafios da democracia", ponderou.

    O emedebista exaltou o que chamou de avanços do seu governo, ao dizer colocou "o Brasil no curso do século 21", e que isso só foi possível por "retomar o diálogo que foi interrompido com o Congresso", em referência direta às dificuldades da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) com o Parlamento, e tendo aprovado "reformas fundamentais".

    "[Começamos] pelo ajuste nas contas promovidas pela alteração que estabeleceu o limite máximo das despesas públicas. Então, fizemos a reforma do ensino secundário, paralisada por décadas, aprovamos a nova lei do trabalho, modernizando a legislação de quase 80 anos. Nós fizemos isso mantendo intactos a nossa rede de proteção social de milhões de dólares. Então, em um resumo do meu governo, gostaria de destacar estas palavras: diálogo, responsabilidade fiscal e social", avaliou.

    Temer ainda considerou que a Reforma da Previdência é o que segue pendente no seu governo, e que não desistiu de votá-la antes de 31 de dezembro, quando termina o seu mandato. Porém, tudo passará pela manutenção ou não da intervenção federal no Rio de Janeiro, que tem o foco na área de segurança pública e impede votações de emendas constitucionais pelo Congresso.

    Sobre a intervenção, o presidente disse que ela é apoiada por 80% da população fluminense e que é um erro interpretá-la como uma medida eleitoreira.

    "Estão cometendo o erro de politizar e ideologizar até o risco de vida que sobre a população do Rio, sobretudo os mais pobres, que vivem em áreas afetadas, sob o domínio de traficantes e milícias. É uma atitude, eu diria, irresponsável. Estão confundindo intervenção civil sobre segurança com militarismo e autoritarismo, em um apelo a tristes lembranças do passado. É uma comparação inoportuna", explicou à publicação.

    Temer embarca para o Chile neste domingo, onde acompanhará a posse do novo presidente do país, Sebastián Piñera.

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    Tags:
    corrupção, política, intervenção federal, Procuradoria Geral da República (PGR), STF, TSE, Dilma Rousseff, Sebastián Piñera, Rodrigo Janot, Luiz Inácio Lula da Silva, Michel Temer, Chile, Brasil
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