15:23 18 Outubro 2019
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    Márcia Tiburi, filósofa e artista plástica.

    'Não converso com pessoas indecentes', filósofa abandona entrevista ao ver líder do MBL

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    A filósofa Márcia Tiburi abandonou uma entrevista a um programa de rádio ao descobrir que dividiria os microfones com Kim Kataguiri, membro do MBL.

    A entrevista aconteceria nesta quinta-feira (25), na rádio Guaíba, de Porto Alegre-RS, e seria conduzida pelo jornalista Juremir Machado.

    Márcia Tiburi deixou o estúdio imediatamente ao saber que Kim Kataguiri seria o outro entrevistado. Visivelmente incomodada em econtrar uma das lideranças do Movimento Brasil Livre (MBL) ela deixou estúdio se dirigindo ao jornalista e criticando Kim: 

    "Você deveria ter me avisado. Tenho vergonha de estar aqui. Que as deusas me livrem. Não converso com pessoas indecentes, perigosas”.

    No mesmo dia, a filósofa divulgou uma carta aberta direcionada ao jornalista responsável pelo programa. Ela afirma ao jornalista que apesar de gostar muito de seu trabalho, não foi avisada sobre quem era o outro debatedor e que se sente no direito de não legitimar interlocutores como Kim Kataguiri.

    "Ao longo da minha vida me neguei poucas vezes a participar de debates. Sempre que o fiz, foi por uma questão de coerência. Tenho o direito de não legitimar como interlocutor pessoas que agem com má fé contra a inteligência do povo brasileiro ao mesmo tempo em que exploram a ignorância, o racismo, o sexismo e outros preconceitos introjetados em parcela da população".

    O MBL é um movimento liberal conservador formado principalmente por jovens ativistas. Tomou proporção nacional após as mobilizações de 2013 e também nas manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff. As posições conservadoras do movimento e sua ligação com figuras do MDB e PSDB são criticadas por movimentos de esquerda.

    Já a filósofa e artista plástica, Márcia Tiburi, é figura conhecida na internet por suas posições de esquerda. Ela é colunista de mídias alternativas e autora de diversos livros, entre eles "Como dialogar com um fascista — Reflexões sobre o cotidiano autoritário brasileiro", o qual cita na carta aberta por ter uma ironia no título mal interpretada por internautas que teriam usado a obra como forma de criticá-la.

     

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