23:40 14 Novembro 2018
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    Rodrigo Janot

    Janot: indicados por Temer, Dodge e Segóvia atuam para barrar apurações de Lava Jato

    Elza Fiúza/Agência Brasil
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    A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Fernando Segóvia, atuam para desacelerar as investigações em torno de operações de combate à corrupção, como a Lava Jato. Quem garante é o ex-procurador da República, Rodrigo Janot.

    Em entrevista à Agência Reuters, Janot foi especialmente ácido ao falar de Segóvia, que substituiu Leandro Daiello recentemente, por indicação do presidente Michel Temer (PMDB). Para o ex-procurador, o novo diretor da PF tem uma atribuição no novo posto.

    "Segóvia veio para cumprir uma missão: de desviar o foco dessa investigação. Ao que me parece, pelas declarações que deu, ele tem a missão de desacreditar as investigações ou as investigações que envolvem essas altas autoridades da República brasileira. E nas investigações ele pode ter o efeito de atrapalhar sim", afirmou Janot.

    Lastreado por políticos do quilate de Eliseu Padilha e José Sarney, Segóvia não constava na lista tríplice da Associação de Delegados da Polícia Federal (ADPF) e a sua indicação gerou surpresa dentro e fora da corporação, porém o seu nome foi elogiado por outra entidade da classe, a Federação Nacional de Policiais Federais (Fenapef).

    Durante uma conferência de imprensa no dia 20 de novembro, dez dias após o seu início da nova função, Segóvia criticou os promotores pelo caso contra Temer, chamando-a de uma investigação apressada. Ele depreciou uma das principais evidências, incluindo um vídeo filmado pela PF de um assessor da Temer aceitando uma bolsa com R$ 500 mil em dinheiro.

    "Uma única mala não fornece evidências criminais necessárias", disse Segovia, provocando um desprezo generalizado na imprensa e nas mídias sociais brasileiras.

    Já as críticas a Dodge são por outra razão. Segundo a Reuters, dois altos oficiais da Justiça disseram que a procuradora – segunda colocada na eleição interna da categoria e que, escolhida por Temer, substituiu Janot em setembro –, disse a alguns promotores de Brasília que se afastassem das investigações sobre corrupção e parassem de falar publicamente sobre o assunto.

    A rivalidade entre os grupos de Janot e Dodge no ambiente interno da PGR já foi revelado neste ano. Mais votado na eleição interna, o procurador Nicolao Dino era o nome preferido de Janot para substituí-lo, mas Temer usou a sua prerrogativa para escolher Dodge, que ficou em segundo na mesma votação.

    À mesma agência, uma porta-voz de Dodge desmentiu o suposto bloqueio e disse que a nova procuradora-geral está combatendo vigorosamente a corrupção em várias frentes.

    Já Segóvia informou que suas “declarações e atitudes sempre foram para fortalecer as investigações contra os crimes de desvio de recursos públicos e contra a corrupção no Brasil”.

    ”Em todos os meus pronunciamentos sempre deixei claro que iremos ampliar e fortalecer a operação Lava Jato. Não tenho nenhum tipo de ligação político-partidária com o PMDB ou qualquer outro partido político brasileiro. Meu único compromisso é com o Brasil e com a Polícia Federal”, acrescentou em e-mail enviado à Reuters.

    Por sua vez, o Palácio do Planalto disse que o novo chefe da PF foi indicado após consultas com a corporação e criticou qualquer insinuação de que ele poderia atrapalhar as investigações – em mais um capítulo dos ataques de Temer contra Janot, que teria perseguido o presidente para se manter no cargo que tinha na PGR.

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    Tags:
    política, corrupção, Operação Lava Jato, Polícia Federal, PGR, Michel Temer, Fernando Segóvia, Raquel Dodge, Rodrigo Janot, Brasil
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