16:06 10 Dezembro 2019
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    Reunido em Bonn, grupo de 20 países promete abandonar uso do carvão na próxima década

    Brasil quer ser vitrine ambiental em 2019, mesmo sob risco de levar pedrada

    Nicholas Kamm/AFP
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    Presente à 23ª Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (COP 23), em Bonn, na Alemanha, o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, apresentou a candidatura do Brasil para sediar a próxima cúpula em 2019, reforçando as metas de desenvolvimento sustentável assumidas pelo país no Acordo de Paris.

    Para justificar a candidatura, Sarney Filho lembrou que o Brasil tem longa tradição em sediar grandes debates sobre o meio ambiente, tal como aconteceu na Rio 92 e, há cinco anos, ao promover a Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável. Segundo o ministro, o Brasil tem hoje uma política clara de proteção ambiental. Ele citou, como exemplos, a redução do desmatamento em 28% (a maior parte na Amazônia), o compromisso de reduzir em 37% os gases causadores do efeito estufa até 2025 e a restauração de 12 milhões de hectares de florestas, sem prejuízo do aumento da atividade econômica.

    Considerado um das maiores autoridades ambientais no Brasil, David Zee, oceanógrafo e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), disse que, apesar das muitas críticas que enfrenta dentro e fora do país, a proposta apresentada pelo Brasil na COP 23 tem aspectos bastante positivos. Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o especialista aponta como principal fazer com que os olhos da comunidade internacional se voltem para os vários desafios ambientais enfrentados pelo país.

    "O ministro está fazendo seu papel, apesar de estar em uma situação bastante delicada, uma vez que a agenda ambiental não é a primeira coisa. Trazer a COP 25 para o Brasil é bastante interessante porque torna o país responsável também nessa discussão e também traz para cá o compromisso que eles (os países desenvolvidos) têm com o planeta. Quando se fala da preservação da Amazônia e dos ecossistemas costeiros, estamos falando de um benefício coletivo. É preciso dividir a conta para executar esses projetos", diz o oceanógrafo.

    Zee explica que o desenvolvimento sustentável do Brasil depende também de tecnologias, muitas desenvolvidas no exterior, e que só são acessíveis mediante o pagamento de royalties. Segundo ele, o Brasil precisa não só de ajuda monetária, mas principalmente tecnológica. O professor diz que a ajuda de outros países pode estabelecer cláusulas que estabeleçam determinadas metas de cumprimento e assegurem uma rigorosa fiscalização dos recursos doados. “Se eu quisesse ajudar realmente o Brasil, não apenas doaria recursos, mas também tecnologia. Parece que há muita doação sem exigência.”

    Floresta Amazônica em Tucuruí, no Pará
    MÁCIO FERREIRA/ AG. PARÁ/ FotosPúblicas / http://fotospublicas.com/mais-amazonia-levanta-debate-sobre-formatacao-de-fundo-para-desenvolvimento-de-regioes/

    Durante a COP 23, Grã-Bretanha e Reino Unido anunciaram uma linha de 150 milhões de euros para projetos que diminuam o desmatamento na Amazônia. Outros 33,9 milhões de euros irão para o Fundo Amazonas, criado em 2008 para ajudar na preservação de mais de 5 milhões de km² da Floresta Amazônica. Os dois países também encabeçam um grupo de 20 países que se comprometeram a cessar a exploração de carvão já a partir da próxima década.

    Zee cita o caso da China, país que, nos últimos anos, vem diversificando suas matrizes energéticas não mais apenas baseadas em combustíveis fósseis como petróleo e carvão, mas investindo pesado em energias renováveis como a solar, eólica, entre outras.

    "É um paradoxo. O país mais poluidor de uma hora para outra está se transformando no que desenvolve mais tecnologias inovadoras. O viés é econômico. Eles perceberam que conseguem ganhar mais dinheiro ou economizar mais transformando a tradicional energia de petróleo. Eles sentiram na pele. Cidades como Pequim estão quase inviabilizadas devido à poluição aérea. Hoje em dia não é o forte que come o fraco. É o rato que come o lento. O Brasil está deitado em cima de uma mina de ouro e não sabe", finaliza Zee.

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    Tags:
    Amazônia, tecnologia, energias renováveis, investimento estrangeiro, preservação, meio ambiente, UERJ, ONU, José Sarney Filho, David Zee, Alemanha, Brasil
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