14:52 06 Dezembro 2019
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    Torquato Jardim nos EUA

    'Dar nome aos bois': Pezão vai ao STF para que ministro da Justiça explique polêmica

    © Foto / Antônio Cruz/ Agência Brasil
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    A polêmica envolvendo o ministro da Justiça, Torquato Jardim, e as autoridades do Rio de Janeiro foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF). É lá que as fortes palavras do ministro serão avaliadas, a pedido do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

    Nesta quarta-feira o governador assinou o documento elaborado pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), no qual o Palácio Guanabara questiona judicialmente Torquato Jardim por suas palavras ditas um dia antes, e cuja verborragia foi apontada contra policiais e políticos do Rio.

    Em uma entrevista ao UOL, e em outra ao jornal O Globo, o ministro da Justiça declarou que a PM do Rio não possui comando e que comandantes de batalhões teriam envolvimento com o crime organizado. E tudo isso seria de conhecimento do governo fluminense.

    "Nós já tivemos conversas, ora eu sozinho, ora com o Raul Jungmann [ministro da Defesa] e o Sérgio Etchengoyen [ministro do Gabinete de Segurança Institucional], conversas duríssimas com o secretário de Segurança do estado e com o governador. Não tem comando", disse ele ao UOL.

    Na representação encaminhada ao STF, a PCE afirma que o ministro tem "dever funcional" de "comprovar todos os fatos que disse ter conhecimento por meio de documentos oficiais", o que o impediria de ter de responder pelos crimes de "calúnia, injúria, difamação e, em tese, por prevaricação".

    Além disso, Torquato é instado no documento encaminhado ao Supremo a revelar o nome de agentes públicos que teriam cometido crimes, como sugeriu em suas entrevistas ao UOL e ao Globo, para que tais pessoas possam ser investigadas e punidas, se necessário.

    A interpelação por parte do governo do Rio foi definida após uma reunião entre a cúpula de Pezão e da PM fluminense. Também citado por Torquato, o comandante da PM do Rio, Wolney Dias, foi defendido pelo secretário de Segurança Roberto Sá, que elogiou a sua experiência de mais de 30 anos de serviços prestados à corporação.

    Diante da repercussão de suas palavras, o ministro da Justiça informou que não falará mais sobre o assunto. Em Brasília, a repercussão também não foi boa. Em nota divulgada pela sua assessoria, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se disse “perplexo” com o que disse Torquato.

    Cotado para sair candidato ao governo do Rio em 2018, o ex-prefeito César Maia (DEM) – pai de Rodrigo Maia – sugeriu que as palavras do ministro da Justiça não passam de campanha aberta a favor de um presidenciável, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

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    Tags:
    corrupção, narcotráfico, crime organizado, violência, política, STF, Ministério da Justiça, Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, Palácio Guanabara, Wolney Dias, Roberto Sá, César Maia, Torquato Jardim, Luiz Fernando Pezão, Rodrigo Maia, Rio de Janeiro, Brasil
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